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Vulnerabilidade dos peixes às mudanças climáticas

A mudança climática é uma crescente ameaça à biodiversidade. Ela pode impactar a estrutura e a função de diferentes ecossistemas ao redor do globo. À medida que acelera a magnitude e a velocidade das mudanças climáticas, torna-se imprescindível avaliar a vulnerabilidade da fauna, com vistas a definir ações efetivas de conservação.

Estudo de pesquisadores dos Estados Unidos avaliou a vulnerabilidade de peixes marinhos e de água doce às mudanças climáticas. Utilizando dados sobre a fisiologia de aproximadamente 3.000 diferentes espécies de peixe de diversas regiões do planeta, o estudo explorou como cada uma responderá ao aumento projetado da temperatura das águas.

O estudo compilou dados de experimentos de laboratório envolvendo cerca de 500 espécies de peixes, realizadas nos últimos 80 anos por pesquisadores de todo o mundo. Para cada uma das espécies, os experimentos mediram o limite térmico – as temperaturas mais altas que os peixes toleram antes de morrer. A partir dessa base de dados, os pesquisadores extrapolaram os limites térmicos para um total de 3.000 espécies, considerando a semelhança taxionómica.

Mapas de riscos ligados ao aumento da temperatura da água de espécies de peixe de água doce (superior) e marinho (inferior). A cor azul indica baixo risco, e a cor vermelha, alto. Fonte: Universidade de Washington

Os dados foram então aplicados em um modelo climático, que projetou cenários de alteração da temperatura das águas doces e dos oceanos causado pelas mudanças climáticas. Os resultados exibiram um padrão regional de aumento de risco às comunidades de peixes (gráfico acima). O risco associado ao aumento de temperatura variou consideravelmente entre peixes marinhos e de água doce.

Espécies marinhas da região dos trópicos e espécies de água doce de altas latitudes do Hemisfério Norte foram as que ficaram expostas ao maior risco de ultrapassar o limite térmico. No caso dos mares dos trópicos, as espécies vivem atualmente em águas cuja temperatura é próxima do limite. Portanto um pequeno aumento na temperatura pode superar a tolerância dos peixes.

O oposto se verificou com espécies de água doce no Hemisfério Norte. Os peixes dessas regiões estão adaptados a águas de temperaturas mais baixa, apresentando pequena tolerância ao aquecimento. E uma vez que os efeitos do aquecimento global se fazem sentir de modo mais acentuado nas altas latitudes do planeta, os risco das espécies nessas regiões foi significativo.

De acordo com os pesquisadores, em cenários no qual o limite térmico seja ultrapassado, as alternativas para as espécies seriam a adaptação ou a migração. Mas considerando a velocidade com que as mudanças climáticas devem acontecer, é pouco provável que os peixes consigam se adaptar. Dessa forma, a capacidade de migrar para áreas com temperaturas mais adequadas se torna imperativo para a sobrevivência das comunidades de peixes.

Em termos de conservação, a necessidade de migrar em função das mudanças climáticas irá requerer novas ações relacionadas a barragens e outras infra-estruturas que interrompem o fluxo de rios e cursos de água doce. Recuperar a vegetação às margens de corpos d’água – como em Áreas de Preservação Permanente – também se reveste de nova importância, já que constitui uma estratégia para minimizar o aumento da temperatura das águas. 

Mais informações: Climate change challenges the survival of fish across the world
Imagem: Pixabay

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