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Vulnerabilidade do Rio Verde Grande às mudanças climáticas

A bacia hidrográfica do Rio Verde Grande, localizada em Minas Gerais e na Bahia, poderá enfrentar problemas de disponibilidade de água devido às mudanças climáticas, apontou estudo de pesquisadores da Universidade Federal de Montes Claros.

Uma das possíveis consequências das mudanças climáticas no Brasil é dificultar o acesso a água, alertou o estudo. Alterações na intensidade e frequência das secas, temperaturas elevadas e o aumento da taxa de evaporação, em um contexto de usos competitivos dos recursos hídricos, tem o potencial de provocar crises severas.

As regiões semi-áridas são apontadas como uma das mais vulneráveis às mudanças do clima. É o caso da bacia hidrográfica do Rio Verde Grande. A bacia possui área de 31.410 km², com 87 % dela no estado de Minas Gerais e 13% no estado da Bahia.

Os pesquisadores investigaram possíveis alterações futuras no regime hidrológico do Rio Verde Grande. Adotando um cenário de médias a altas emissões de gases de efeito estufa, três cenários diferentes de implementação de medidas de gestão das águas, eles combinaram as projeções da variabilidade climática futura da região com um modelo hidrológico. Dessa forma, simularam as condições na bacia hidrográfica até o ano 2050.

Os resultados indicaram que, mesmo no cenário em que todas as medidas de gestão da água fossem implementadas, a disponibilidade hídrica na bacia ainda seria negativamente afetada. Isso porque as medidas de gestão, como, por exemplo, a construção de barragens, também sofrerão impactos negativos, diminuindo a sua efetividade.

O uso da água que apresentou a maior vulnerabilidade às mudanças no clima foi a agricultura irrigada. Duas sub-bacias do Rio Verde Grande indicaram alta vulnerabilidade para a criação de rebanhos, uma vez que a disponibilidade de água superficial é baixa.

A vulnerabilidade da cidade de Montes Claros, em Minas Gerais, centro urbano com a maior concentração populacional da bacia hidrográfica, foi projetada para se tornar alta até 2050. Segundo o estudo, a resiliência da sub-bacia permanecerá muito baixa, ainda que se implante os projetos previstos para garantir o abastecimento de água da cidade. 

Os pesquisadores ressaltaram que as medidas contidas no Plano de Bacia Hidrográfica do Rio Verde Grande não serão suficientes para a gestão das águas no futuro. Outras ações devem ser estudadas e discutidas, levando-se em conta as possíveis mudanças climáticas.

Mais informações: Mudanças climáticas e a sustentabilidades dos recursos hídricos em bacia hidrográfica com
escassez hídrica no Brasil: o caso da bacia de Rio Verde Grande
Imagem: figura 1 do estudo – localização da bacia hidrográfica do Rio Verde Grande

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