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Vulnerabilidade do cacau brasileiro às mudanças climáticas

A produção brasileira de cacau é vulnerável ao aquecimento global, sendo que o aumento da freqüência de secas poderá impactar significativamente o rendimento dos cultivos nas próximas décadas, indicou estudo de um grupo internacional de pesquisadores.

As mudanças climáticas causadas pelo aquecimento provavelmente afetarão as atividades agrícolas. De acordo com o estudo, um dos debates da comunidade científica diz respeito a se e como os ciclos de El Niño serão alterados no futuro. Algumas projeções sugerem que o El Niño se tornará mais frequente e intenso.

No Brasil, o El Niño traz secas severas para a região nordeste. Foi o caso, por exemplo, do período entre outubro de 2014 e maio de 2016, que afetou a cobertura florestal e os cultivos agrícolas.

A produção de cacau brasileira, a maior da América do Sul, com uma média de 200.000 toneladas de grãos secos em 2014–2015, está concentrada na Bahia. Geralmente a árvore do cacau é cultivado em sistemas agroflorestais, junto a espécies nativas da Mata Atlântica e outras introduzidas.

Apesar da Bahia sofrer com eventos de secas, entre os quais aqueles relacionados ao El Niño, não havia pesquisas de campo sobre o efeito da seca nas plantaçoes de cacau. Levantamentos em outras partes do mundo apontaram que as secas levam a fortes quedas na produção.

O estudo mediu o efeito da seca provocada pelo El Niño de 2015-16 em cacaueiros de 31 fazendas escolhidas aleatoriamente na Bahia. Em cada fazenda, áreas foram selecionadas para acompanhar árvores adultas antes e depois do episódio da seca. 

As fazendas avaliadas apresentaram perdas de 89% do rendimento durante a seca do que em comparação com o período anterior. Mas a região do estudo mostrou quedas bem superiores à média registrada no estado da Bahia, que foi de cerca de 30%.

Isso aponta para uma variação geográfica da influência da seca. O clima da região do estudo se caracteriza por estar um pouco além da faixa ideal para o cultivo do cacau. Dessa forma, o cultivo poderia ser mais vulnerável aos eventos de secas extremas.

Outros efeitos registrados foram uma redução na frutificação do cacau e um incremento na mortandade de árvores. A taxa de infecção do cacaueiro pelo fungo conhecido como vassoura de bruxa subiu de 15% antes da seca para 30% durante. A mortalidade de árvores, usualmente menor do que 1% em plantações antigas e saudáveis, saltou para 15% por causa da seca.

Os pesquisadores afirmaram que, apesar das incertezas, é provável que, ao longo das próximas décadas, secas extremas se tornem mais longas e frequentes nos trópicos. As plantações de cacau brasileiras em regimes agroflorestais são vulneráveis a essas alterações, e podem experimentar um declínio nos rendimentos. 

Mais informações: Climate change could threaten cocoa production: Effects of 2015-16 El Niño-related drought on cocoa agroforests in Bahia, Brazil
Imagem: Pixabay

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