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Vulnerabilidade da Amazônia às mudanças climáticas

A floresta amazônica constitui o ecossistema mais importante do planeta em termos de biodiversidade e de sequestro de carbono. Ela representa 40% tanto da área mundial de florestas tropicais quanto da quantidade de biomassa. Entender como a floresta responderá ao aquecimento global é fundamental para projetar as mudanças climáticas do futuro.

Caso a Amazônia seja impactada pelo aumento das temperaturas ou alteração do padrão das chuvas, poderá diminuir a quantidade de carbono sequestrado pela floresta. Nesse caso, ao retirar menos carbono da atmosfera, as concentrações de gás carbônico – CO2 – subiriam de forma ainda mais acentuada, levando a uma aceleração do aquecimento global.

Mas os modelos computacionais não simulam apropriadamente as dinâmicas de ecossistemas florestais, e a evolução do sequestro de carbono pelas florestas tropicais é ainda uma das maiores incertezas nas projeções das mudanças climáticas. A fim de avaliar as dinâmicas do ecossistema amazônico e potenciais alterações no futuro, um time internacional de cientistas comparou as simulações dos modelos computacionais com dados coletados na região da floresta.

O foco do estudo foi identificar os fatores relacionados à transição do bioma cerrado para o bioma florestal. De acordo com os cientistas, investigar os processos que governam a transição entre os biomas fornece informações relevantes para entender a vulnerabilidade da Amazônia e de outras florestas tropicais às mudanças climáticas. Alterações nesses fatores podem interferir na estrutura das florestas ou mesmo reverter o bioma florestal em cerrado.

Em geral, a transição de um bioma a outro é condicionada pela quantidade de umidade, o que depende da precipitação e sofre influência do regime de queimadas. A partir de informações sobre o ecossistema, foi calculada que a presença da floresta ocorre em áreas onde se verifica um limite mínimo de 2.000 mm de chuva por ano. Abaixo desse valor, ocorrem áreas de transição entre o bioma florestal e o cerrado.

Abaixo do limite mínimo de chuva anual, tem início a transição entre os biomas, que acontece de forma gradual. O estudo indicou que os modelos computacionais replicam corretamente o limite da precipitação, mas falham na simulação do clima regional. Ao mesmo tempo, não há projeção de mudanças na transição entre os biomas pelos modelos, sugerindo que a floresta amazônica possui certa tolerância à futuras alterações climáticas.

Os cientistas ressaltam que a investigação dos modelos climáticos se restringiu à variável da precipitação. A resposta da floresta amazônica à futuras mudanças climáticas inclui outras variáveis como eventos extremos ou distúrbios e mortalidades causados pela seca, que interagem com possíveis mudanças na precipitação. Eles recomendam o aprimoramento dos modelos e de estudos sobre o tema.

Mais informações: Hydrologic resilience and Amazon productivity
Imagem: gráfico retirado do estudo

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