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Vulnerabilidade a deslizamentos de terra

Fig. 9

No Brasil os deslizamentos de terra constituem a maior causa de mortes por desastres naturais, correspondendo a 60% dos casos. Deslizamentos ocorrem devido a uma combinação de fatores, incluindo o relevo acidentado, a degradação dos solos – especialmente em função do tipo de uso e ocupação e do desmatamento – e fortes precipitações. Acontecem usualmente durante o período de chuvas.

Outros processos de desmoronamento, como deslizamentos de rocha ou avalanches, também estão ligados ao clima. E a expectativa é que as mudanças climáticas terão impactos sobre esses processos, segundo relata artigo revisando a literatura científica a respeito do tema.

É importante frisar que desmoronamentos são um processo natural, ocorrendo em todos os continentes. Eles possuem um papel relevante na formação do relevo. Há vários elementos que interferem na estabilidade de encostas e declives, como terremotos e vulcões, a temperatura, o derretimento da neve, a chuva e as interferências humanas. Os impactos das mudanças climáticas se dão por meio de alterações na temperatura e no padrão das chuvas.

A relação entre as variações climáticas e os processos de desmoronamentos é ainda pouco estudada pela ciência. Além disso, menos claro é quais serão as mudanças nas condições de estabilidade e nas características dos deslizamentos de terra em resposta às mudanças climáticas projetadas.

O grande desafio está relacionado à escala temporal e geográfica. Enquanto desmoronamentos estão associados a pontos localizados do terreno, podendo ser desencadeados por fatores específicos – como uma temporada de chuvas intensas, as projeções climáticas são limitadas às escalas global ou regional. Por causa das incertezas, projeções geram valores médios de futuras condições climáticas, mas não podem detalhar a ocorrência de eventos específicos.

A partir da revisão da literatura científica, o estudo realiza uma avaliação preliminar do impacto das mudanças climáticas sobre a atividade e a frequência de deslizamentos de terra. O resultado é apresentado no mapa acima, onde as setas indicam regiões cujo risco de deslizamentos aumentará (as cores diferentes se referem aos tipos de deslizamentos, por exemplo, rochas ou avalanches).

Todavia, ainda não é possível quantificar os impactos das mudanças climáticas no risco de ocorrência de desmoronamento, em especial os riscos à população. Nesse sentido, o estudo advoga uma postura preventiva. Entre outras medidas recomenda, apesar das incertezas, o aperfeiçoamento de modelos computacionais para a avaliação dos riscos, e o monitoramento da susceptibilidade de encostas à variação temporal causada pelo clima ou por outros fatores, como intervenções humanas.

Mais informações: Landslides in a changing climate
Imagem: o mapa foi retirado do estudo (Fig. 9)

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