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Vulcão na Antártica marcou o fim da última era glacial

No final do último período glacial, condições frias e secas persistiram no hemisfério sul até cerca de 17,7 mil anos atrás, quando pode ser registrada uma mudança climática repentina. Ela se deu pela alteração na circulação do ventos que circundam a Antártica, interferindo na extensão do gelo marinho, na circulação e ventilação dos oceanos. A consequência foi uma abrupta aceleração da deglaciação em todo o hemisfério sul.

Os motivos que causaram a mudança climática eram desconhecidos. Mas um estudo publicado por pesquisadores dos Estados Unidos afirma que uma sequência de erupções de um vulcão na Antártica, ao longo de quase 200 anos, pode estar por trás do súbito e acelerado processo de deglaciação. Os gases emitidos pelo vulcão teriam provocado o declínio da camada de ozônio e, com isso, reconfigurando as condições hidroclimáticas nos sub-trópicos do hemisfério sul.

Segundo o estudo, apesar dos ciclos das eras glaciais estar associado às alterações graduais nos parâmetros orbitais da Terra e à insolação, podem-se observar nos registros paleoclimáticos a ocorrência de mudanças climáticas abruptas. Elas acontecem especialmente no término da glaciação, fazendo com que cada uma seja única e condicionada por fatores climáticos específicos.

Há 17,7 mil anos atrás, na transição para o presente período interglacial, uma alteração abrupta ocorreu no hemisfério sul. Ela foi marcada, entre outros, pela retração das geleiras na Patagônia e na Nova Zelândia, expansão de lagos nos Andes bolivianos, aumento das chuvas de verão da região subtropical do Brasil, diminuição da aridez na Austrália.

Grafico vulcao na antartica e alteracoes.png
Registro da erupção do Monte Takahe (gráfico de baixo, em linhas vermelhas), que coincidiu com outras alterações observadas no fim da última era glacial, como o aumento de CO2 (gráfico superior, linhas pretas) e a redução na quantidade de poeira, o que indica o fim de condições glaciais (gráfico do meio, linhas laranjas). Fonte: DRI

Através de análises físico-químicas do gelo coletado no oeste da Antártica, os cientistas puderam identificar elementos associados à erupção do vulcão antártico. Os resultados apontam para uma sequência de 192 anos de atividade vulcânica, marcada por nove pulsos de emissão de gases e material. Os cientistas também identificaram elementos que sugerem uma depleção da camada de ozônio sobre o continente antártico.

Observações e simulações de modelos climáticos mostram que o atual buraco na camada de ozônio está ligado a alterações climáticas por todo o hemisfério sul. Utilizando um modelo climático para reproduzir as condições ocorridas há 17,7 mil anos atrás, os resultados levaram a alterações climáticas semelhantes aquelas observadas no presente.

Dessa forma, o estudo postula que o fim da última era glacial começou a aproximadamente 19 mil anos atrás, quando o aumento da insolação provocou o derretimento das geleiras no hemisfério norte. O processo de deglaciação foi acelerado por causa das erupções vulcânicas registradas na Antártica, marcando a transição para o presente período interglacial.

Mais informações: Synchronous volcanic eruptions and abrupt climate change ∼17.7 ka plausibly linked by stratospheric ozone depletion DRI
Imagem: Monte Takahe, vulcão do oeste da Antártica/ USGS and NASA, LIMA Viewer, https://lima.gsfc.nasa.gov/. Image Date: March 4, 2015

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