Press "Enter" to skip to content

Viés na pesquisa científica do Ártico

O Ártico está passando por aceleradas mudanças devido ao aquecimento global, com o aumento das temperaturas quase duas vezes maior do que a média global. As alterações no clima interferem nos solos congelados da região, que armazenam grande quantidade de carbono.

O calor adicional pode levar o solo a descongelar, provocando a instabilidade dos reservatório de carbono. Há o risco da região começar a emitir o carbono para a atmosfera, contribuindo ainda mais para o crescimento das concentrações de gases de efeito estufa. E, com isso, intensificando o aquecimento.

Mas o conhecimento científico dos solos congelados do Ártico ainda é bastante limitado, alertou estudo de um time internacional de cientistas. Apenas uma quantidade irregular da extensão geográfica da região e de seus estoques de carbono foi investigada até o momento, introduzindo incertezas quanto às projeções de tendências futuras.

O estudo utilizou um banco de dados georreferenciado, com medições primárias de campo em todo o Ártico de 1.840 artigos científicos publicados. O objetivo foi analisar a distribuição espacial da amostragem de campo.

Foi identificado que a maior parte da pesquisa esteve desproporcionalmente concentrada em locais que experimentaram taxas menores de aumento da temperatura. De todas as citações presentes nos artigos, 31% delas são derivadas de pontos localizados dentro de 50 km de distância de apenas dois locais de pesquisa.

Por outro lado, áreas com amostras insuficientes correspondem àquelas relativamente mais frias e onde se verifica o ritmo mais rápido de aquecimento. Em especial, o arquipélago canadense e a costa norte da Rússia, que abrigam uma grande fração dos solos congelados não cobertos de gelo.

Segundo um dos cientistas, o conhecimento atual do ecossistema ártico, de seus padrões e processos, ainda é incompleto. Em consequência, os impactos da alteração futura do clima podem estar subestimados.

Os cientistas recomendaram o desenvolvimento de mais pesquisas para aumentar tanto a qualidade quanto a quantidade de amostragem em áreas pouco investigadas. Assim, seria possível gerar um quadro mais representativo das mudanças no Ártico e de seus impactos ambientais.

Fonte: Universidade de Lund
Imagem: UBC Geography/ A. Cassidy

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
%d blogueiros gostam disto: