Press "Enter" to skip to content

Os ventos do sul aumentam, os ventos do norte diminuem

O Hemisfério Sul do planeta pode se tornar mais favorável à geração de energia eólica no futuro por causa do aquecimento global, sugere estudo de cientistas dos Estados Unidos. Por outro lado, a disponibilidade de vento para geração de energia deve diminuir em muitas regiões do Hemisfério Norte.

O estudo analisou, em escala global, como o aquecimento global pode interferir na produção de energia por fontes renováveis dependentes do vento. A energia eólica responde atualmente por menos de 4% do consumo mundial de energia, mas é apontada como uma das principais alternativas para substituir as fontes baseadas em combustíveis fósseis.

Utilizando projeções de um conjunto internacional de modelos climáticos, os cientistas puderam identificar, para diferentes cenários de emissões de gases de efeito estufa, as mudanças futuras nos padrões dos ventos em todo o mundo. A partir daí, calcularam o potencial de produção de energia eólica de cada região.

Mapas com o potencial eólico global em um cenário de baixas (à esquerda) e altas (à direita) emissões de gases de efeito estufa. Na linha superior, os mapas trazem o potencial estimado dos próximos 40 anos. Na linha inferior, dos próximos 80 anos. A cor vermelha indica as áreas com incremento no potencial de produção, enquanto que a cor azul indica reduções. Fonte: CIRES/ Kris Karnauskas

Apesar das projeções de diferentes modelos climáticos apresentarem divergências, elas mostraram um mesmo tipo de tendência em larga escala espacial. Para cenários de elevadas emissões de gases de efeito estufa, o potencial eólico das latitudes médias do Hemisfério Norte diminuiriam, enquanto que, em contrapartida, aumentariam no Hemisfério Sul.

Segundo os cientistas, em cada hemisfério as causas de mudança seriam diferentes. No norte, o efeito estaria relacionado com o aumento das temperaturas na região do Ártico devido ao aquecimento global, levando a uma menor diferença de temperatura entre o pólo norte e o equador. Com um menor gradiente de temperatura, os ventos nas latitudes médias se tornariam mais lentos.

O Hemisfério Sul, por sua vez, é dominado pelos oceanos, que ocupam uma área maior do que a dos continentes. Essa característica se mostrou determinante na forma como o aquecimento global alteraria o padrão dos ventos nessa parte do planeta. Porque a terra se aquece mais rapidamente do que a água, o aquecimento implicaria em um aumento do gradiente de temperatura entre os continentes e os oceanos. Em consequência, os ventos se tornariam mais fortes.

Na América do Norte, a redução do potencial eólico seria mais proeminente durante o inverno, período no qual ocorrem atualmente os ventos mais fortes. Outras regiões do Hemisfério Norte que experimentariam reduções do potencial eólica seriam o Japão, a Mongólia e a zona do mediterrâneo. No Hemisfério Sul, o Brasil, a África Ocidental, a África do Sul e a Austrália se beneficiariam de um aumento de potencial.

Em um cenário de baixas emissões, os resultados registraram apenas a diminuição do potencial eólico no Hemisfério Norte. Não houve ganhos na região sul do planeta.

Os cientistas ressaltaram que os modelos climático possuem ainda muitas incertezas quanto às projeções locais de alteração do padrão dos ventos. Ainda assim, os modelos podem ser combinados com outras abordagens no planejamento e exploração desse recurso renovável.

Fonte: CIRES
Imagem: Pixabay

Comments are closed.

%d blogueiros gostam disto: