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Ventos fortes na Amazônia

O alteração na freqüência e na intensidade de tempestades na Amazônia, devido ao aquecimento global, pode trazer um impacto ainda não considerado nos modelos climáticos. Há o potencial de aumentar a mortalidade de árvores por causa da ação do vento, afirma estudo de um time internacional de cientistas.

Os fatores que levam aos padrões de distribuição espacial da floresta amazônica ainda não são bem conhecidos, afirma o estudo.

O noroeste da Amazônia, de clima mais úmido, caracteriza-se por ter maior produtividade e menor quantidade de biomassa.

A Amazônia Central, por sua vez, apesar de três meses de estação seca, tem menor produtividade e maior biomassa.

A diferença observada na composição da floresta entre as duas regiões poderia ser explicada pela mortalidade de árvores. Ela influencia os processos dos ecossistemas e os padrões espaciais de produtividade e biomassa.

A mortalidade de árvore pode ter origem em fatores internos ao ecossistema, como competição entre espécies. Mas também em fatores externos, sendo um dos principais os fortes ventos de tempestades.

O objetivo do estudo foi identificar e mapear a ocorrência de derrubadas de árvores pelo vento em toda a Amazônia entre 2013 e 2015, comparando a região noroeste da Amazônia com a região central.

A partir dos dados produzidos pela análise, buscou-se também projetar, por meio de um modelo computacional, o impacto do aumento futuro de eventos extremos de chuva sobre a floresta. O método utilizou imagens e dados de satélite e levantamento de informações em campo sobre a composição da flora.

A derrubada de árvores pelo vento se mostrou mais comum e frequente no noroeste da Amazônia do que na região central. O noroeste seria mais vulnerável em parte por causa do tipo de solo.

Com baixas taxas de infiltração e alta compactação, os solos do noroeste da Amazônia limitam o crescimento de raízes mais profundas. Além disso, a combinação de luz solar, chuvas abundantes e nutrientes promovem um crescimento vertical das árvores mais rápido, com sistemas radiculares superficiais.

A ancoragem das árvores do noroeste a tornariam mais expostas aos eventos extremos. Durante tempestades, a saturação dos solos pelo excesso de chuva e fortes cargas de vento afetariam a estabilidade mecânica das árvores.

As projeções do modelo apontaram que a mudança na freqüência e intensidade de tempestades pode aumentar a mortalidade de árvores provocadas pelo vento. Os resultados sugerem que a floresta do noroeste da Amazônia seria mais resiliente às mudanças do que a da região central.

Os cientistas enfatizaram a importância de incluir o potencial impacto da mortalidade de árvores relacionadas ao vento nos modelos climáticos. Com isso, será possível aprimorar as projeções a respeito da resposta das florestas tropicais às mudanças climáticas.

Mais informações: Vulnerability of Amazon forests to storm-driven tree mortality
Imagem: Flickr

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