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Uso da terra pode afetar o acordo climático de Paris

Atingir as metas do acordo climático de Paris exigirá profundas mudanças nos sistemas agrícolas e no uso da terra. Mas os compromissos de mitigação do aquecimento global assumidos pelos países ainda tratam essa questão de forma extremamente vaga, alertou estudo de cientistas de universidades da Alemanha e do Reino Unido.

Para evitar impactos severos do aquecimento global e das mudanças climáticas, o acordo climático de Paris estabeleceu a meta de limitar o aumento da temperatura média global a 2ºC acima dos níveis pré-industriais. O acordo prevê também que os países devem realizar esforços para que o aquecimento seja de no máximo 1,5ºC.

Um relatório recente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês – comparou os potenciais impactos entre o cenário de aquecimento de 1,5ºC e o cenário de 2ºC. Este último implicará em riscos significativamente maiores de danos aos sistemas naturais e humanos do que o primeiro.

No âmbito do acordo climático de Paris, cada país apresentou, de forma voluntária, um plano para reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Denominado de Contribuição Nacionalmente Determinada – CND -, o plano detalha as ações que o país irá adotar de modo a cortar as suas emissões.

Além de alterações no sistema energético e a eliminação do uso de combustíveis fósseis, alcançar as metas do acordo dependerá também de mudanças na gestão do uso do solo e das florestas.

Mas ao avaliar as Contribuições Nacionalmente Determinadas dos países, o estudo identificou que as medidas direcionadas ao setor da terra são insuficientes e improváveis de serem implementadas na íntegra. Com isso, existe a ameaça de as metas de limitação do aquecimento global se tornarem inatingíveis.

Um dos fatores ressaltado pelo estudo foi o desmatamento nas regiões tropicais do planeta. Em especial, de florestas tropicais no Brasil, na República Democrática do Congo e na Indonésia. As florestas armazenam grandes quantidades de carbono e contêm altos níveis de biodiversidade.

Os esforços de proteção das florestas tropicais não tiveram sucesso. Após um período de redução, a taxa de desmatamento voltou a subir nos últimos anos. Legislações de proteção foram revertidas ou flexibilizadas.

A precariedade das medidas do setor se devem, em parte, à inconsistências entre diferentes políticas do sistema de terras. O desenvolvimento de novas abordagens de manejo da terra tem sido lento, enquanto que regulamentações atuais fomentam a prática do desmatamento.

Além disso, modificações no uso da terra podem demorar décadas para acontecer devido a defasagens espaciais e temporais. E algumas medidas de mitigação propostas para o setor podem acarretar em conseqüências negativas.

Se o objetivo é evitar altos níveis de aquecimento, deve-se intensificar os esforços de redução das emissões pelo setor da terra, de modo rápido e realista. Ou as metas do acordo climático de Paris não serão cumpridas.

Fonte: Universidade de Edimburgo
Imagem: Unsplash/ James Baltz

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