Mudanças climáticas inevitáveis

O aquecimento global irá causar mudanças significativas nas zonas periglaciais, afirma estudo de cientistas da Finlândia e do Reino Unido. As zonas periglacias ocupam um quarto da superfície terrestre e são encontrados no extremo norte e sul. Nessas zonas está presente uma camada de terra congelada o ano todo, denominada de permafrost.

Uma das características do aquecimento global é se manifestar de forma mais acentuada na região dos pólos. No caso do Ártico, mudanças climáticas significativas estão acontecendo, como a retração das geleiras, alterações da vegetação e dos regimes térmico e hidrológico.

Essas mudanças interferem sobre ciclos biogeoquímicos e sobre o albedo (a capacidade de absorver ou refletir a luz solar) dos solos. Por sua vez, as interferências podem trazer consequências para o sistema climático, como, por exemplo, maio emissão natural de gases de efeito estufa. Com isso, provocar-se-ia uma intesificação das mudanças climáticas em curso.

Mas essa interação entre o aquecimento global e interferência dos solos das zonas periglaciais era ainda cercada de incertezas. O estudo teve por objetivo melhorar a compreensão desse processo, e projetar com maior detalhe a mudança climática futura das zonas periglaciais.

Para tanto, os cientista levantaram dados sobre as alterações dos solos de uma área no norte da Finlândia. Classificaram as alterações levando em consideração a topografia, o tipo de solos, e as variáveis climáticas. A partir de então, aplicaram os resultados em um modelo climático da área analisada, projetando um cenário de baixas, médias e altas emissões para os períodos 2040-2069 e 2070-2099.

 

Mapa da área de estudo com condições atuais (à esquerda) e projeções para o período 2040-2069 em um cenário de médias emissões. Fonte: Figura 5 do estudo.

Os resultados indicam uma grande redução das zonas periglaciais devido às mudanças climáticas. Em um cenário de médias emissões, 36% do total da área analisada permaneceria nas mesmas condições em 2070-2099. Em um cenário de altas emissões, a redução é bem mais acentuada, com apenas 11% da área permanecendo com as mesmas características atuais.

De acordo com os cientistas do estudo, os resultado podem ser aplicados a outras regiões do Hemisfério Norte com condições topográficas e climáticas semelhantes. Eles ressaltam que modelos climáticos globais não representam as zonas periglaciais com o detalhe necessário, e suas projeções tendem a subestimar as alterações atuais e futuras.

A redução das zonas periglaciais irá interagir com a atmosfera, podendo ter relevância global. O estudo alerta para a necessidade de mais pesquisa dessas zonas, a fim de aprimorar as projeções futuras de mudanças climáticas.

Mais informações: Statistical modelling predicts almost complete loss of major periglacial processes in Northern Europe by 2100
Imagem: Figura 1 do estudo