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Uma dupla ameaça aos recifes de coral

O estresse térmico e a acidificação dos oceanos representam uma dupla ameaça aos recifes de coral, alertou estudo de cientistas de universidades dos Estados Unidos e das Polinésias Francesas.

Agravado pelo aquecimento global, o estresse térmico ocorre durante eventos em que se verifica um elevado aumento da temperatura das águas. Ele provoca o branqueamento, quando as algas que vivem na estrutura dos corais, produzindo alimento e os fazendo coloridos, são expelidas.

Por sua vez, a acidificação se caracteriza pela queda no pH da água do mar. Ela tem origem na absorção pelo oceano de grandes quantidades do dióxido de carbono – CO2 – emitido pelas atividades humanas.

A acidificação reduz a disponibilidade de minerais utilizados pelos corais para a formação de seus esqueletos calcários.

O estudo investigou como a combinação do estresse térmico e da acidificação poderá causar impactos sobre os recifes de coral ao redor do mundo. Para tanto, foi utilizado um modelo computacional para simular cenários futuros das condições dos oceanos.

Os resultados indicaram que, em um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa, a frequência de eventos de branqueamento severo nos trópicos passará a ser anual a partir de 2030. No caso de latitudes mais altas, o branqueamento severo deverá se tornar anual a partir de 2045.

Mas os impactos extremamente severos sobre os recifes de coral não ficariam restritos somente ao estresse térmico. No mesmo cenário, a acidez das águas provocaria um declínio constante da saturação de minerais utilizados pelos corais.

Mapa de projeção de branqueamento anual de recifes de coral
O mapa indica em cores o ano a partir do qual os recifes de coral passarão a experimentar eventos anuais de branqueamento severo. Cor vermelha escura indica o ano de 2030, cor amarelo claro, o ano de 2056. Fonte: NOAA.
Mapa de projeção de impacto de acidificação nos recifes de coral
O mapa apresenta a projeção da queda na saturação de minerais da água causada pela acidificação. A referência é o ano em que os recifes de coral irão experimentar eventos anuais de branqueamento severo. Fonte: NOAA.

A soma dos dois fatores pode ter efeitos negativos dramáticos. Por exemplo, em partes do sudoeste do Pacífico, as projeções do cenários de altas emissões sugerem que no momento em que os recifes de coral começarem a experimentar o branqueamento anual todo ano, a saturação de minerais da água estará 20% menor.

O estudo apontou que até 2055, em um cenário de altas emissões, 90% de todos os recifes de coral do mundo estarão submetidos a eventos anuais de branqueamento severo, em um ambiente de maior acidificação. Representam projeções sombrias para a sobrevivência dos corais.

No cenário de médias emissões de gases de efeito estufa, os impactos nos recifes de coral demorariam entre 20 a 30 anos para alcançar a mesma magnitude.

Para evitar esse cenários, é preciso cortar significativamente as emissões provenientes das atividades humanas. Ao mesmo tempo, deve-se planejar a conservação dos recifes de coral, avaliando os riscos futuros e os impactos projetados em cada região.

Mapa atualizados da pesquisa, com a localização dos corais e as projeções de risco de branqueamento futuro, estão disponíveis no website do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Fonte: NOAA
Imagem: Pixabay

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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