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Um clima melhor para a dengue

As áreas do planeta com clima favorável para o desenvolvimento do mosquito da dengue devem aumentar devido ao aquecimento global. Estudo de pesquisadores dos Estados Unidos sugere que o número de pessoas expostas ao Aedes aegypt também deve crescer.

Segundo o estudo, cerca de 2,5 bilhões de pessoas, em mais de 100 países, vivem atualmente em regiões de alto risco de dengue. Estima-se que até 390 milhões de infecções por vírus da dengue ocorrem anualmente. O mosquito pode transmitir outros tipos de vírus, como o da zika e o da chikungunya

Um dos fatores para a prevalência do mosquito em determinada região é o clima. O Aedes aegypti está presente em ambientes urbanos de zonas tropicais e subtropicais de todo o mundo. A temperatura, a umidade e a precipitação influenciam o ciclo de vida do mosquito.

Pesquisas anteriores indicaram que a faixa de ocorrência do mosquito poderá se expandir com as mudanças climáticas. O cientistas ressaltam, porém, que ainda há incertezas quanto à influência da precipitação. E fatores humanos podem muitas vezes ser mais importante do que as condições climáticas para o desenvolvimento do Aedes aegypti.

A fim de explorar o tema, o estudo utilizou um conjunto de projeções de modelos climáticos para o período entre 2061 e 2080. Foram considerados um cenários de baixas e outro de altas emissões de gases de efeito estufa. A análise também incluiu duas trajetórias de crescimento populacional. Ao combinar os cenários, os pesquisadores definiram a distribuição espacial futura do mosquito e os potenciais impactos à saúde.

Mapa de distribuição global do mosquito da dengue para (a) o período de referência 1950-2000, para (b) cenário de baixas emissões em 2061-2080 e (c) cenário de altas emissões em 2061-2080. A cor magenta indica padrões de ocorrência mais favoráveis, e a cor verde, menos favoráveis. Fonte: figura 1 do estudo.

Ambos os cenários dos modelos climático indicaram que, até 2061-2080, aumentará as regiões favoráveis ao desenvolvimento do mosquito. Os resultados apontaram uma expansão entre 44% e 54% da área global na qual o Aedes aegypti ocorre abundantemente durante o ano todo. Áreas nas quais o mosquito ocorre o ano todo, mas com picos de abundância somente sazonais, poderiam subir entre 15% e 33%. A maior parte do crescimento se registrou na África, no sul da Ásia e na América do Sul.

Outras regiões, de pouco ou nada favoráveis, poderiam se tornar aptas ao mosquito da dengue. O estudo projetou um aumento global entre 8 e 18% de áreas em que seria possível registrar a presença sazonal do Aedes aegypti. Ele estaria ativo nessas áreas durante, por exemplo, o verão, mas sem produzir larvas viáveis no inverno. A taxa mais rápida de aumento desse tipo de área se daria na Europa.

Apenas em função do aquecimento global, o estudo estimou que a população exposta às doenças transmitidas pelo mosquito subiria entre 8% e 12%. Em cenários levando em consideração o crescimento populacional, o aumento ficaria entre 59% e 134%. Atualmente, cerca de 63% da população mundial está exposta ao mosquito da dengue. O valor subiria para 68-70% até 2061-2080 se a população for mantida constante, ou 71-80% em cenários de crescimento.

Os cientistas alertam que grande parte das zonas tropicais e subtropicais da África, sul da Ásia e América do Sul podem experimentar uma abundância do Aedes aegypti durante todo o ano. Em zonas de latitudes médias, potenciais impactos à saúde estariam ligados à expansão dos padrões de ocorrência sazonal do mosquito.

Mais informações: The potential impacts of 21st century climatic and population changes on human exposure to the virus vector mosquito Aedes aegypti
Imagem: Flickr/ Sanofi Pasteur

One Comment

  1. […] Nos últimos 50 anos, a incidência global da dengue aumentou 30 vezes, afetando atualmente aproximadamente 390 milhões de pessoas. Segundo o estudo, projeções estimaram que nos próximos 30 anos a doença continuará a se espalhar. […]

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