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UCs do Tapajós podem proteger os recursos pesqueiros

DA COMUNICAÇÃO/UFOPA – Estudo inédito na região Amazônica comprova que unidades de conservação, que possuem foco principalmente na proteção de ecossistemas terrestres, também têm potencial para proteger os estoques pesqueiros. A pesquisa avaliou três unidades de conservação do baixo rio Tapajós de diferentes categorias, regras de gestão e tempos de estabelecimento, observando a variação na composição e abundância dos recursos pesqueiros em uma ampla escala temporal: 46 anos.

O objetivo do estudo foi verificar mudanças na composição e abundância dos recursos pesqueiros ao longo do tempo em três diferentes unidades de conservação: Floresta Nacional  (Flona) do Tapajós, Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns e Área de Proteção Ambiental (APA) Alter do Chão.

O estudo foi liderado pelo professor Gustavo Hallwass, Campus Oriximiná da Ufopa, que coordena o Laboratório de Ecologia Humana, Peixes, Pesca e Conservação (LEHPPEC). Colaboraram com o estudo o professor Renato Silvano, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e o professor Alexandre Schiavetti, da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), Bahia.

Os resultados do trabalho indicaram que, ao longo dos anos, houve redução na captura de peixes de maiores tamanhos como o pirarucu (Arapaima gigas), o tambaqui (Colossoma macropomum) e o tucunaré (Cichla spp.). Por outro lado, houve aumento na captura de peixes de tamanhos médios como a pescada (Plagioscion squamosissimus), o mapará (Hypophthalmus marginatus) e o jaraqui (Semaprochilodus spp.), além de grandes bagres como a dourada (Brachyplatystoma rousseauxii) e o filhote (Brachyplatystoma filamentosum). No caso destes dois últimos, o aumento está relacionado à melhora nas tecnologias de pesca, como o aumento no uso de canoas motorizadas (rabetas), o que facilitou a viagem de pesca até o canal do rio Tapajós, onde se capturam esses peixes, bem como o uso de malhadeira de algodão para a captura dos bagres.

Quanto às áreas protegidas analisadas, a Flona possui níveis de conservação dos recursos pesqueiros maiores que as demais unidades. Para isso, é importante ressaltar que ela foi criada há mais de 40 anos e com regras mais rigorosas quanto à comercialização dos peixes capturados na área.

A Resex, criada há cerca de 15 anos, apresentou um nível intermediário de conservação dos peixes explorados. A APA Alter do Chão, que é uma área criada mais recentemente e com regras menos restritivas, além de ser uma região mais próxima à cidade de Santarém, foi a região com menor nível de proteção aos estoques pesqueiros.

De acordo com o professor Gustavo Hallwass, os resultados dessa pesquisa reforçam a importância das unidades de conservação na Amazônia, que mesmo tendo um foco prioritariamente terrestre, tem forte potencial para a conservação dos recursos pesqueiros, que são importantes para a manutenção da segurança alimentar e renda das populações ribeirinhas. Além disso, sugere-se que as unidades de conservação aumentem seu foco na preservação dos ecossistemas aquáticos, visto que boa parte da população Amazônica tem seus meios de vida relacionados a esse tipo de recurso natural.

Fonte: UFOPA
Mais informações: Hallwass, G., Schiavetti, A., & Silvano, R. A. M. Fishers’ knowledge indicates temporal changes in composition and abundance of fishing resources in Amazon protected areasAnimal Conservation.
Imagem: Flickr/ Luciana Christante

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