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Trópicos sofrerão mais com temperaturas extremas

Limitar o aquecimento global a menos do que 2°C acima dos níveis pré-industriais evitaria grandes aumentos na mortalidade relacionada ao calor, sugeriu estudo de um time internacional de pesquisadores. Regiões de clima mais quente, como o Brasil, poderiam se beneficiar ainda mais se a temperatura subisse a no máximo 1,5°C.

Eventos de temperaturas extremas, como as ondas de calor ou de frio, causam impactos na saúde humana. O aquecimento influenciará na frequência e intensidade desses eventos. A fim de avaliar as tendências de mortalidade relacionada a esses eventos, o estudo investigou, para várias regiões geográficas do mundo, quatro cenários futuros: de 1,5°C, 2°C, 3°C e 4°C.

Com base em dados históricos, os pesquisadores levantaram para 451 localidades, em 23 países diferentes, a relação entre eventos extremos de temperatura e casos associados de mortalidade. Em seguida, a partir de modelos climáticos, projetou-se a mudança nos eventos extremos de temperatura até 2100, em cada localidade, para os quatro cenários de aquecimento.

Foi então estimada a tendência de mortalidade em função das mudanças na frequência e intensidade dos eventos de calor, de frio e total. A análise incluiu uma comparação dos resultados obtidos para os quatro cenários, distinguindo-se as tendências de mortalidade estimadas para cada região. Não levou em consideração alterações demográficas ou de vulnerabilidade das populações.

Comparação da mortalidade entre o cenário de 1,5°C e 2°C. As barras vermelha indicam aumento de mortalidade por calor, e as barras azuis, redução de mortalidade por frio. Os quadrados e a linha negra mostram a mudança na mortalidade total. Fonte: figura 1 do estudo.

Na soma de todas as regiões, o cenário de 2°C registraria um número maior de mortalidade por ondas de calor na maioria dos países do que o cenário de 1,5°C. Mas uma acentuada variação geográfica ocorreria, uma vez que a mortalidade por frio tenderia a diminuir.

Dessa forma, apesar das incertezas, o estudo indicou que algumas áreas de clima frio experimentariam uma queda na mortalidade no cenário de 2°C em comparação com o cenário de 1,5°C. O contrário ocorreria nos países de clima equatorial, onde a mortalidade subiria.

Comparação da mortalidade entre os cenário de 2°C, 3°C e 4°C. As barras vermelha indicam aumento de mortalidade por calor, e as barras azuis, redução de mortalidade por frio. Os quadrados e a linha negra mostram a mudança na mortalidade total. Fonte: figura 2 do estudo.

No caso dos cenários de aumento mais elevado da temperatura, registrou-se um padrão de mortalidade crescente associada ao calor e uma atenuação moderada da mortalidade pelo frio. Nos cenários de 3°C e 4°C, devido aos riscos de ondas de calor consideravelmente maiores, a maioria das regiões do mundo veria crescer a mortalidade total relacionada aos extremos de temperatura.

Os pesquisadores apontaram para a relação entre os impactos futuros sobre a saúde e o tipo de clima atual de cada região. Os impactos se concentrariam em zonas equatoriais e áridas, enquanto zonas temperadas ou mais frias sofreriam menos consequências. Por exemplo, os resultados sugeriram um gradiente das tendência de mortalidade no Brasil, mais graves nas localidades próximas do equador e menos naquelas do sul do país.

Os países tropicais poderão sofrer mais impactos na saúde humana em função do aquecimento. Eles abrigam as áreas mais populosas do planeta e são, em geral, os mais vulneráveis às mudanças climáticas.

Mais informações: Vicedo-Cabrera, Ana Maria, et al. “Temperature-related mortality impacts under and beyond Paris Agreement climate change scenarios.” Climatic change 150.3-4 (2018): 391-402.
Imagem: Pixabay

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