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Tirar do sol e colocar o café na sombra

O sombreamento representa uma estratégia de adaptação do cultivo do café às mudanças climáticas. Os produtores devem planejar a adaptação tendo em vista a região e suas condições ambientais, apontou estudo de pesquisadores de universidades do Brasil e da França.

Depois da água, o café é a bebida mais consumida ao redor do planeta, tendo o Brasil como o maior produtor. Segundo o estudo, em 2015/2016, aproximadamente 155 mil sacas de café foram consumidas, preferencialmente da variedade arábica, mais popular. Todo ano, as exportações globais de café somam em média US$ 20 bilhões.

O aquecimento global e as mudanças climáticas introduzem desafios ao cultivo da planta. O aumento das temperaturas e a alteração do regime das chuvas podem reduzir a área adequada disponível para o plantio do café. Podem também influenciar a qualidade do produto e o rendimento.

A adaptação ganha importância ainda maior porque a cultura apresenta um caráter perene. Os pés continuam produzindo no mesmo local durante anos seguidos. Assim, o estudo indicou que o manejo para a adaptação demanda maior atenção, devendo incluir aspectos locais como clima, tradição e mercado.

Uma das técnicas existentes de adaptação é o sombreamento. Ela constitui na utilização de árvores de sombra. Os benefícios incluem a proteção das plantas do café contra altas temperaturas, ventos ou outras condições climáticas adversas, e a melhoria da umidade do solo e do ar. A adoção de agroflorestas poderia minimizar o estresse fisiológico do café.

Ao mesmo tempo, as agroflorestas contribuiriam para a mitigação do aquecimento global. O crescimento e formação de florestas de sombreamento serviria para sequestrar dióxido de carbono – CO2 – da atmosfera, principal gás de efeito estufa. Outros benefícios estariam associados à conservação dos recursos naturais e da biodiversidade.

Mas o sombreamento tem suas desvantagens. Conforme levantado pelo estudo, as árvores de sombra competem com o café por luz, água e nutrientes. Elas elevam a quantidade de manejo necessário, e podem interferir no rendimento e nos tipos de patógenos e pragas do cultivo.

O recomendado seria um nível baixo a moderado de sombreamento, mas ainda existia a necessidade de pesquisa mais aprofundadas a respeito do sombreamento na cultura do café. Por meio da combinação de experimentos de campo em São Sebastião do Paraíso, no sul de Minas Gerais, com simulações em modelos computacionais, o estudo investigou três diferentes esquemas de sombra.

Foram considerados fatores como a temperatura, radiação solar, a velocidade do vento e a umidade. O nível máximo de sombreamento foi de até 30% de sombra. Os pesquisadores avaliaram como a técnica interferiria no clima e na produção atuais.

Os resultados mostraram uma diminuição da radiação, da temperatura e da velocidade do vento. Este último caiu até 99%. Os sistemas também levaram à maior umidade durante o período mais seco do ano. Contudo, devido a perda de rendimento, os benefícios variariam caso a caso, em função das condições locais.

Os pesquisadores concluíram que o sombreamento tem potencial para minimizar o estresse do café. Não fez parte do estudo explorar como a produção será afetada em futuros cenários de mudanças climáticas, e qual o papel do sombreamento nessa condições.

Mais informações: Coltri, Priscila Pereira, et al. “Low levels of shade and climate change adaptation of Arabica coffee in southeastern Brazil.” Heliyon 5.2 (2019): e01263.
Imagem: Pixabay

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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