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Tempestades severas mais frequentes nos trópicos

O aquecimento global pode tornar mais frequente os eventos extremos de chuva nos trópicos, apontou estudo da agência espacial dos Estados Unidos – NASA.

A expectativa, segundo o estudo, é de que o ciclo hidrológico irá se intensificar em resposta ao aquecimento global. Evidências apontam que a precipitação nos oceanos cresceu 1,5% por década durante os últimos 19 anos.

Em uma atmosfera mais quente e com mais vapor d’água, pode-se verificar um crescimento na frequência de formação de nuvens altas. Todavia, uma pesquisa anterior de dados de satélite entre 1978 e 2003 não detectou nenhuma tendência.

Os cientistas se concentraram em um tipo específico de nuvens, ao qual estão associados eventos extremos de chuva e os furacões. Elas são denominadas de nuvens de convecção profunda e ocorrem somente nos trópicos. São constituídas por torres de nuvens do tipo cumulus, que se elevam à altas altitudes na atmosfera.

A frequência de nuvens de convecção profunda está correlacionada à temperatura média das águas tropicais do oceano. Segundo o estudo, é possível utilizar essa correlação para estimar sensibilidade da frequência de nuvens de convecção profunda à modificações na temperatura da água causadas pelo aquecimento global.

A análise se baseou em dados de satélite de monitoramento de radiação infravermelha ao longo dos últimos 5 anos. A partir do perfil das emissões detectadas pelo satélite, os cientistas puderam localizar os pontos de formação de nuvens de convecção profunda.

Foi identificado que a frequência de formação das nuvens é sensível à temperatura dos oceanos tropicais. O estudo estimou que a frequência subirá 45% para cada 1ºC de aumento na temperatura média do mar.

Em um contexto de aquecimento global a uma taxa de 0,13ºC por década, projetou-se que a frequência de formação de nuvens de convecção profunda e, por consequência, de tempestades severas, subirá a uma taxa de 6% por década.

No entanto, há muitas incertezas a respeito da relação entre o aquecimento da atmosfera, a concentração de vapor d’água, o processo de convecção, o comportamento das nuvens e a precipitação.

Ainda assim, os resultados se mostraram qualitativamente consistentes com modelos climáticos de última geração. Os modelos simulam que o aquecimento levará globalmente a uma taxa de chuva média menor, porém à maior a frequência de eventos extremos de chuva.

É possível que tempestades severas nos trópicos fiquem cada vez mais comuns no futuro, à medida que avança o aquecimento global. Isso poderá se traduzir em mais inundações e mais danos socioeconômicos.

Mais informações: Aumann, H. H., Ruzmaikin, A., & Teixeira, J. (2008). Frequency of severe storms and global warmingGeophysical Research Letters35(19).
Imagem: Flickr/ Bernard Dupont

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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