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Tempestades e perda de gelo na Antártica

Tempestades no oceano ocorridas nas últimas décadas levaram à desintegração de plataformas de gelo na Antártica, registrou estudo de cientistas de universidades da Austrália, Estados Unidos e Nova Zelândia. A relação entre tempestades e redução das plataformas de gelo tem implicações para o aumento do nível do mar.

Vários eventos de desintegração rápida e abrupta de plataformas de gelo foram registrados nas duas últimas décadas na Antártica. Entre eles, em 1995 cerca de 1.600 quilômetros quadrados da plataforma de Larsen A se desintegraram. Em 2002, foram 3.320 quilômetros quadrados da plataforma de gelo Larsen B (que se mantinha estável desde 11 mil anos atrás). Em 2009, 1.450 quilômetros quadrados da plataforma de Wilkins.

De acordo com o estudo, compreender as causas desses fenômenos de desintegração catastrófica das plataformas de gelo contribuiria ao estudo da calota polar da Antártica. Em particular, de como ela irá responder ao aquecimento global e, consequentemente, qual será sua participação no aumento do nível médio do mar.

O estudo analisou imagens de satélite durante a época de cinco grandes desintegrações de plataformas de gelo registradas entre 1995 e 2009. Levantaram-se dados a respeito das ondas na superfície do oceano, e os cientistas exploraram essas informações por meio de um modelo computacional.

Uma combinação de dois fatores esteve presente em todos os eventos de desintegração. Em primeiro lugar, a cobertura de gelo marinho estava significativamente reduzida ou ausente. Em segundo lugar, tempestades que provocaram ondas do oceano maiores.

Segundo os cientistas, a cobertura de gelo marinho ao redor da Antártica vem diminuindo desde o fim da década de 1980. O gelo marinho cumpriria o papel de amortecedor, reduzindo a energia das ondas do oceano antes que elas atingissem a borda das plataformas de gelo.

Sem a cobertura de gelo marinho, a borda das plataformas passaram a ficar mais expostas à ação das ondas geradas por tempestades. Sob o efeito das ondas, os primeiros quilômetros da margem externa da plataforma se flexionam, aumentando as fraturas do gelo.

Com o tempo, as plataformas são enfraquecidas pelas fraturas e pelo derretimento da superfície, até que eventos de colapso de grandes áreas acontecem.

A dinâmica entre o gelo marinho, as ondas do oceano e as plataformas de gelo não eram consideradas nos modelos climáticos. Sem o gelo marinho, as plataformas de gelo tendem a desaparecer mais rapidamente. Por sua vez, com a desintegração das plataformas, as geleiras da calota polar da Antártica tendem a fluir mais rapidamente para o mar, aumentando o derretimento.

As informações produzidas pelo estudo poderão contribuir para aprimorar os modelos. E, desse modo, melhorar as projeções da contribuição da Antártica para o aumento do nível do mar, à medida que o sistema climático se aquece.

Fonte: Universidade de Adelaide
Imagem: Flickr/ Overview – plataforma de gelo de Larsen-C, que se desintegrou este ano

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