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Temperatura e seca ameaçam o cultivo do cacau

As mudanças climáticas representarão aumento das temperaturas e das secas, com consequências negativas para o cultivo do cacau. Para se adaptar às novas condições, será preciso explorar o material genético em busca de plantas mais resistentes, apontou estudo de pesquisadores de universidades do Brasil e do Peru.

O cacau constitui um dos cultivos mais importantes do mundo e da América Latina. O maior produtor mundial é o Equador, sendo que o Brasil apresenta a maior área plantada na região, mais de 700 mil hectares. Segundo o estudo, a produção está ligada à agricultura familiar, com manejo centrado na sombra, na fertilização e no manejo de pragas.

Entre os maiores produtores da América Latina, o Brasil mostra o menor índice de produtividade, com quase 300 quilos de grão de cacau seco por cada hectare plantado. O país com a melhor produtividade é o Peru, onde cada hectare produz cerca de 730 quilos de grão.

Entre os fatores que interferem no plantio estão a precipitação e a seca. A árvore de cacau frutifica durante o ano inteiro, mas depende de condições ideais de chuva para que o fruto se desenvolva. Com isso, verifica-se uma queda na produção durante o período de estiagem em todas as zonas produtoras da América Latina.

Apesar da importância do cacaueiro, os pesquisadores afirmaram que pouca atenção tem sido dada aos possíveis impactos do aquecimento global sobre o cultivo. Temperaturas mais altas e secas mais frequentes ou extensas poderão expor as plantações a maiores condições de estresse hídrico e térmico, levando a danos fisiológicos e bioquímicos.

Os pesquisadores revisaram a literatura científica, de forma a sintetizar a pesquisa realizada até o momento sobre o cacau e os impactos da temperatura e da ausência de chuvas. Eles identificaram uma escassez de pesquisas que abordavam a resposta da planta de cacau à condições de déficit hídrico ou de aumento de temperatura.

Entre os efeitos negativos registrados, as secas e altas temperaturas levam à queda das flores do cacau, prejudicando a frutificação. Também provocam a queda dos frutos ou a diminuição da sua qualidade. Em casos extremos de calor, o estresse térmico pode causar a morte da planta. A falta de chuvas é capaz de diminuir a produtividade em 45%.

Entretanto, a investigação de como os processos fisiológicos e bioquímicos do cacau estão relacionados com o seu material genético ainda é extremamente rara. Sem esse tipo de conhecimento, torna-se impraticável identificar variações mais resistentes – como, por exemplo, mais tolerantes à seca.

Sem investir em pesquisa, o futuro da produção do cacau ficará vulnerável aos impactos das mudanças climáticas. Em um futuro cada vez mais quente, talvez o chocolate – feito à base de cacau – se torne um produto de luxo.

Mais informações: Ventura, R.B., Soto, V.M., Otiniano, A.J. and Gratão, P.L., 2019. EFEITO DO DÉFICIT HÍDRICO E DO AUMENTO DE TEMPERATURA SOBRE VARIÁVEIS PRODUTIVAS, FISIOLÓGICAS E BIOQUÍMICAS DO “CACAU” THEOBROMA CACAO L. ARNALDO A, 26(1), pp.287-296.
Imagem: Unsplash/Rodrigo Flores

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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