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Sistemas agroflorestais como alternativa de adaptação

Sistemas agroflorestais representam uma alternativa de adaptação da pecuária às mudanças climáticas. Estudo de pesquisadores brasileiros identificou que a implantação de sistemas de pastagem consorciada com árvores de eucalipto contribui para atenuar possíveis impactos.

Os sistemas agroflorestais consistem na combinação de pecuária ou cultivos com o plantio de espécies de árvores – para sombreamento, produção de madeira ou frutíferas. De acordo com o estudo, esse tipo de manejo da terra busca melhorar a produção e a conservação do solo. Eles provocam alterações microclimáticas que podem trazer benefícios, desde que realizados de forma correta.

As principais modificações introduzida por sistemas agroflorestais dizem respeito ao sombreamento e influência sobre o regime de ventos. Ao reduzir a quantidade de radiação solar que atinge a cultura ou o pasto, e ao diminuir a velocidade do vento, outras variáveis microclimáticas são alteradas.

Por exemplo, os sistemas tem o potencial de modificar localmente a temperatura e umidade do ar, a temperatura e umidade do solo, a evapotranspiração – a perda de água pelas plantas -, ou o escoamento da água.

As mudanças climáticas trazem impactos sobre o setor agropecuário. Regiões experimentarão uma queda na quantidade de áreas favoráveis para a produção. Nesse contexto,  sistemas agroflorestais tem sido apontados como uma alternativa de adaptação do setor.

Os pesquisadores analisaram a viabilidade de um sistema silvopastoral – combinação de árvores e pastagem – em mitigar possíveis efeitos das mudanças climáticas. Eles levantaram dados de duas parcelas de 6 hectares cada, ambas no município de São Carlos, em São Paulo.

Uma parcela era composta apenas por pastagem. A outra, por consórcio de pastagem e árvores de eucalipto, com uma de 333 árvores por hectare. O monitoramento de dados compreendeu os anos entre 2013 e 2016.

O o planejamento e a configuração determinam os efeitos de um sistema silvopastoral. No estudo, o sistema abrangia fileiras de árvores separadas 15 metros uma da outra, com orientação leste-oeste. Dessa forma, verificava-se pequeno movimento das sombras das árvores sobre as pastagens ao longo de grande parte do dia.

Por outro lado, o movimento das sombras das árvores sofreu grande variação ao longo do ano. Isso foi causado pela oscilação sazonal na posição do sol no céu. O comprimento da sombra norte-sul se modificou em resposta à declinação solar.

Os resultados mostraram uma alteração no fluxo de calor e na temperatura do solo da parcela na qual o sistema silvopastoral estava implantado. O sistema influenciou a quantidade de radiação solar e velocidade do vento, reduzindo perdas associadas ao excesso de radiação.

Gráfico insolação e fluxo de calor do solo de pastagem sob sol e em sistema silvopastoral
Os gráficos mostram a insolação média (superior) e o fluxo de calor médio dos solos (inferior) durante um dia. A linha preta indica a pastagem sob o sol. As linhas tracejadas, dois pontos diferentes do sistema silvopastoral. Fonte: figura 5 do estudo.

Verificou-se uma redução significativa da incidência de radiação solar, em especial nas seções de pastagem mais próximas das fileiras de árvores. A queda na radiação solar se deu em especial na primavera e no verão, período com os níveis mais elevados de luz solar, e perto do meio dia.

A redução da velocidade do vento na parcela com o sistema silvopastoral indicou a contribuição para uma menor evapotranspiração da pastagem. Há também a diminuição de ventos excessivos, como durante uma tempestade, e que podem danificar plantas ou causar estresse em animais.

A temperatura e umidade relativa do ar não experimentaram modificações relevantes. A configuração do sistema silvopastoral adotado, em conjunto com a espécie utilizada, o eucalipto, levaram a formação de um dossel com alta porosidade. Com isso, as árvores não limitaram o movimento do ar no local, que continuou a se misturar com o ar no ambiente e não mostrou tendências.

Os pesquisadores concluíram que o sistema adotado serve como alternativa eficiente para mitigação de possíveis impactos das mudanças climáticas. Em particular, para regiões que sofrerem com a redução das chuvas e da nebulosidade.

Mais informações: Bosi, C., Pezzopane, J. R. M., & Sentelhas, P. C. (2020). Silvopastoral system with Eucalyptus as a strategy for mitigating the effects of climate change on Brazilian pasturelands. Anais da Academia Brasileira de Ciências92(Suppl. 1), e20180425.
Imagem: Flickr/ Brent Coleman

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