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Sequestro de CO2 pelo ecossistema terrestre pode parar

Os ecossistemas terrestres podem parar de sequestrar o dióxido de carbono – CO2 – da atmosfera após a metade deste século, apontou estudo de um grupo de cientistas de universidades da Alemanha, dos Estados Unidos e da Suíça.

Sem a retirada de CO2 pelos ecossistemas terrestres, as concentrações atmosféricas do gás poderiam subir mais rapidamente em resposta às emissões humanas. A consequência seria uma aceleração do aquecimento global.

As emissões originadas das atividades humanas, em especial a queima de combustíveis fósseis e a mudança do uso da terra, liberam grandes quantidades de gases efeito estufa para a atmosfera. O principal desses gases é o CO2.

Os oceanos e os ecossistemas terrestres absorvem aproximadamente 50% do CO2 emitido pelas atividades humanas. Dessa forma, reduzem a velocidade com que as concentrações atmosféricas sobem e, portanto, também a taxa de aquecimento global.

Entre as evidências da absorção do CO2 pelos oceanos e ecossistemas terrestres, incluem-se a acidificação das águas do mar e o efeito fertilizador sobre a vegetação.

Do total de CO2 retirado da atmosfera, estima-se que os ecossistemas terrestres respondam por 25% do total. Contudo, segundo o estudo, ainda existem muitas incertezas sobre a taxa de absorção, o que prejudica as projeções de cenários futuros.

Os pesquisadores buscaram compreender melhor como a umidade dos solos interfere no armazenamento de carbono pelos ecossistemas terrestres. Variações na umidade podem diminuir o crescimento da vegetação por meio do estresse hídrico, ou mesmo provocar a mortalidade de plantas e árvores.

Além disso, a umidade do solo consiste em um fator importante na interação entre a superfície terrestre e a atmosfera. Suas variações podem intensificar eventos climáticos extremos, como, por exemplo, as secas. Ou, no caso das inundações, ter o efeito contrário.

Pesquisas anteriores sugeriram que a variação da umidade do solo afeta o fluxo de carbono dos ecossistemas terrestres. Projeções sobre a umidade do solo em cenários futuros de aquecimento global, e seus impactos para a absorção de carbono pelos ecossistemas terrestres, ainda estavam ausentes.

A partir do uso de um conjunto de modelos computacionais do sistema terrestre, os cientistas analisaram como a produtividade dos biomas terrestres respondem às mudanças de umidade do solo.

Tanto a variabilidade da umidade do solo – intercalando eventos de chuvas e secas -, bem como as tendências de longo prazo podem reduzir significativamente o sequestro de carbono. Estimou-se que a umidade do solo pode levar a grandes fluxos de CO2 ao longo deste século, da ordem de 2 a 3 gigatoneladas de carbono por ano.

Em resposta à variabilidade da umidade dos solos, os ecossistemas terrestres podem liberar CO2 devido a modificações do processo de fotossíntese e da pressão de vapor d’água, e também pelo aumento da temperatura.

O estudo sugeriu que as alterações na umidade do solo reduzirão o sumidouro de carbono dos biomas terrestres. Espera-se que a intensificação de secas em várias regiões do planeta, conforme projetado pelos modelos climáticos, poderão reduzir o sumidouro ainda mais.

Haveria, portanto, a possibilidade de que o sequestro de carbono pelos ecossistemas terrestres seja afetado até meados do século. A partir daí, caso os níveis atuais de emissões humanas de gases de efeito estufa se mantenham, as concentrações atmosféricas subiriam mais rapidamente.

Os resultados do estudo revelam a complexidade dos estudos sobre a relação entre fatores ambientais e a vegetação. É preciso aprofundar o conhecimento sobre a influência da umidade do solo na vegetação. Em particular na região dos Trópicos, o maior sumidouro do planeta.

O estudo serve como um alerta para o risco de se manter a trajetória atual de emissões humanas. O futuro pode ter reservado um aquecimento bem maior do que o esperado.

Fonte: Universidade de Columbia
Imagem: Flickr/ A. Duarte

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