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Sequestro de carbono por matas ciliares

A recuperação de florestas ciliares – à beira dos rios e corpos d’água – pode contribuir significativamente para o sequestro de dióxido de carbono – CO2 – da atmosfera, identificou estudo de pesquisadores dos Estados Unidos.

Alcançar a meta do acordo climático de Paris e limitar o aquecimento global a 2°C acima dos níveis pré-industriais irá exigir a rápida diminuição das emissões de gases de efeito estufa. Entre as estratégias para atingir a meta, inclui-se o sequestro de carbono por meio de reflorestamento ou pela alteração de práticas agrícolas.

As florestas ciliares apresentam uma importância particular, ressaltaram os pesquisadores. Elas geralmente possuem condições de crescimento mais favoráveis, acumulando estoques de carbono em velocidades maiores do que outros tipos de formação florestal.

Os benefícios de sua recuperação vão muito além do sequestro de carbono. Os ecossistemas ribeirinhos fornecem vários serviços ecossistêmicos, como a proteção da quantidade e da qualidade da água. Eles também podem minimizar os impactos das mudanças climáticas.

No Brasil, a vegetação que ocorre nas faixas marginais aos cursos d’água são consideradas como Áreas de Preservação Permanente – APP. A extensão dessa área varia conforme a largura do curso d’água, medida a partir da borda da calha de seu leito regular.

Segundo o estudo, tendo em vista o estágio de avançada degradação das florestas ciliares em todo o mundo, a sua recomposição tem o potencial de promover o rápido sequestro do carbono, ao mesmo tempo em que melhora as condições ambientais.

A fim de investigar essa possibilidade, os pesquisadores revisaram 177 publicações da literatura científica, entre artigos, relatórios ou outros tipos de dados. O objetivo foi estimar o padrão de estoque de carbono de florestas ribeirinhas ao redor do globo.

A partir dos dados, utilizou-se um modelo computacional para explorar as diferenças na quantidade de carbono sequestrado em função da idade da vegetação. O modelo considerou também a influência de fatores climáticos e meteorológicos e possíveis efeitos do reflorestamento.

Estimou-se que as florestas ciliares armazenam uma média de 68 a 157 Mg de carbono por hectare. A quantidade rivaliza com as estimativas mais altas de qualquer outro bioma florestal.

De acordo com o estudo, as planícies de inundação somam entre 0,5% a 1% da superfície terrestre global – cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados. Se toda essa área fosse florestada, poderia armazenar entre 13,6 a 31,4 bilhões de MgC apenas na biomassa lenhosa.

Isso corresponderia entre 2,9% a 6,7% de todo o carbono armazenado atualmente na vegetação mundial.

A quantidade de carbono sequestrado pelo biomassa depende das condições climáticas. Os estoques de carbono de biomassa e suas taxas de crescimento foram em média mais altas em regiões de clima relativamente quente e úmido.

A recuperação da vegetação ciliar, concluiu o estudo, possui grande potencial de sequestro de carbono. Em relação a outros biomas, apresenta o benefício adicional da rápida taxa de sequestro de carbono, sendo estratégico para o cumprimento de metas urgentes de redução das emissões.

É uma estratégia ótima também do lado da conservação, ao promover a biodiversidade e serviços ecossistêmicos a longo prazo.

O Brasil precisa de estudos que avaliem o potencial representado pelas Áreas de Preservação Permanente no sequestro de carbono, incorporando a recuperação dessas áreas às medidas de mitigação do aquecimento global. Há um grande potencial a ser explorado.

Mais informações: Dybala, K. E., Matzek, V., Gardali, T., & Seavy, N. E. (2018). Carbon sequestration in riparian forests: A global synthesis and meta‐analysis Global change biology.
Imagem: Flickr/ Christoph Diewald

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