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Sequestro de carbono pelo Oceano Antártico pode cair

A quantidade de dióxido de carbono – CO2 – sequestrado pelo Oceano Antártico aumentou nas últimas décadas. Mas essa tendência poderá se reverter no futuro, ampliando em longo prazo o aquecimento global, apontou estudo de cientistas de universidades dos Estados Unidos.

Os oceanos exercem um papel fundamental, pois absorvem da atmosfera boa parte do CO2 emitido pelas atividades humanas. Com isso, eles diminuem a velocidade com que sobem as concentrações atmosféricas do gás, contribuindo para diminuir a velocidade do aquecimento.

De acordo com o estudo, estima-se que o Oceano Antártico responde por quase metade do CO2 sequestrado pelos oceanos ao redor do mundo. Apesar da magnitude e importância, ainda haviam incertezas quanto às tendências atuais. Com isso, ainda é um desafio prever se o Oceano Antártico continuará sendo um sumidouro de carbono no futuro.

A fim levantar em maior detalhe o sequestro de carbono na região, os cientistas utilizaram uma série de monitoramento realizado na Península Antártica. O monitoramento oceanográfico cobria o período entre 1993 e 2017.

De todo o continente, a Península Antártica é um dos trechos que experimenta os maiores efeitos do aquecimento. As mudanças incluem o aumento das temperaturas, a retração das geleiras e a diminuição do gelo marinho.

O estudo identificou que o sequestro de carbono na Península Antártica está ligado à estabilidade das águas do mar no verão e às dinâmicas do fitoplâncton marinho – como as algas. A estabilidade das águas propicia condições ideias para o crescimento do fitoplâncton. Por meio da fotossíntese, esses organismos absorvem o CO2.

Os dados de monitoramento revelaram que, entre 1993 e 2017, as alterações na cobertura do gelo marinho favoreceram a estabilização das águas do oceano durante o verão. Em resposta, tanto as espécies de fitoplâncton quanto suas concentrações se alteraram, provocando um elevação de quase 5 vezes na quantidade de carbono sequestrado durante o verão.

A tendência poderá terminar no futuro. A hipótese do estudo é de que, à medida que o gelo marinho na Península Antártica continue se modificando, as águas do oceano na região se tornem mais instáveis. Nesse cenário, cairá a absorção de carbono pelo Oceano Antártico.

Os resultados do monitoramento da Península Antártica servem de modelo para entender como o sequestro de carbono em outros locais do Oceano Antártico. Por enquanto, ele ainda trabalha a  nosso favor.

Fonte: Universidade de Rutgers
Mais informações: Brown, Michael S., et al. “Enhanced oceanic CO2 uptake along the rapidly changing West Antarctic Peninsula.”
Imagem: The Ohio State University/ Drew Spacht

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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