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Sequestro de carbono pelo Cerrado

Os fragmentos de Cerrado constituem sumidouros de carbono e apresentam um papel importante para a mitigação das mudanças climáticas, apontou estudo de pesquisadores da Universidade Federal de Lavras.

Segundo maior bioma brasileiro, considerado área prioritária para conservação da biodiversidade, o bioma do Cerrado possui uma grande riqueza paisagística e ecológica. Todavia, o bioma tem sofrido com o desmatamento.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE – mostram que o bioma perdeu quase 7.500 quilômetros quadrados em 2017. Entre 2001 e 2018, a área total de desmatamento do Cerrado foi estimada em quase 278.000 km2.

Frente a esse contexto, o estudo ressaltou a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre o bioma e seus atributos. Em particular, do volume de madeira e dos estoques de carbono presentes no Cerrado.

Os pesquisadores buscaram complementar pesquisas anteriores a respeito da quantidade de carbono presente na vegetação. Para tanto, realizaram três estimativas, baseadas em um inventário florestal em uma área de Cerrado sensu stricto, localizada no município de Lavras, em Minas Gerais.

Os dados coletados pelo estudo corresponderam ao estado da cobertura vegetal nos anos de 1993, 2000 e 2009. Foram calculados o estoque de carbono e o volume de madeira por parcela, por hectare e total, para cada ano de medição.

Estimou-se que, em 1993, o estoque de carbono médio da área do estudo era de 11,51 toneladas por hectare – ton/ha. O volume médio de madeira era de 41,75 metros cúbicos por hectare – m3/ha. Ambos os indicadores apresentaram um aumento significativo com o tempo.

Em 2000, a área possuía um volume médio de madeira de 71,89 m3/ha, correspondendo a um estoque médio de carbono de 21,32 ton/ha. O volume médio de madeira alcançou 116,78 m³/ha em 2009, enquanto que o estoque de carbono, 34,52 hectares.

Dessa forma, observou-se um aumento de cerca de 33% no estoque de carbono e de 36% no volume de madeira ao longo do tempo.

O estudo apontou que esse crescimento progressivo foi um reflexo do crescimento dos indivíduos arbóreos e do recrutamento de novos indivíduos. O crescimento foi possível porque a área constitui uma reserva, encontrando-se preservada da interferência humana.

Dada a complexidade e diversidade do bioma, bem como a sua interação com o fogo, é provável que os resultados variem para cada região. Ainda assim, os pesquisadores ressaltaram que o Cerrado constitui um importante sumidouro de carbono.

As políticas ambientais poderia trabalhar no sentido da recuperação e preservação do bioma. Representaria uma estratégia fundamental de mitigação das emissões de gases de efeito estufa e, portanto, do aquecimento global.

Mais informações: Gomes Cordeiro, Natielle & Pereira, Kelly & Terra, Marcela & Mello, José. (2018). Variação temporal do estoque de carbono e volume de madeira em um fragmento de Cerrado sensu stricto. Enciclopédia Biosfera. 15. 931-941. 10.18677/EnciBio_2018B76.
Imagem: Setur-DF/Lula Lopes

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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