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Sequestro de carbono pela neve marinha

A neve marinha contribuiu para regular a temperatura média global nos últimos 120 milhões de anos. Ela cumpre um papel fundamental no sequestro de carbono da atmosfera, indicou estudo de cientistas da Austrália.

À medida que plantas e animais marinhos morrem e se decompõem, seus detritos submergem em direção ao fundo do mar. Porque os detritos parecem flocos brancos – como mostra o vídeo abaixo, da NOAA -, o fenômeno ganhou o nome de neve marinha.

Além de organismos mortos, o material é composto também por matéria fecal, areia, fuligem e outras poeiras inorgânicas. Uma camada espessa de neve marinha, algumas vezes com centenas de metros, forma-se no fundo do mar.

A matéria orgânica é composta de carbono, consumido por plâncton e algas no processo de fotossíntese. Assim, a neve marinha, ao depositar no fundo do oceano a matéria orgânica desses organismos, representa o maior sumidouro de carbono do planeta.

O estudo investigou como o fenômeno evoluiu ao longo da história geológica recente da Terra. Os cientistas reuniram informações de amostras de sedimentos da neve marinha coletados em todas as bacias oceânicas nos últimos 50 anos.

Eles então criaram um modelo computacional para reproduzir o processo de acumulação de carbono ao longo de 120 milhões de anos. Os resultados sugeriram que a quantidade de carbono armazenado pela neve marinha subiu significativamente.

Observou-se uma alteração por volta de 50 milhões de anos atrás. A partir daí, a formação de camadas de neve marinha em regiões de águas rasas do oceano diminuiu. Por outro lado, o acúmulo em regiões de águas profundas aumentou consideravelmente (veja o vídeo abaixo).

O estudo estimou que o volume de carbono depositado pela neve marinha no fundo dos oceanos duplicou. De 50 milhões de anos atrás até o presente, a quantidade de carbono armazenada por ano cresceu para 310 megatoneladas.

O aumento teria sido provocado por um conjunto de fatores, que elevaram o intemperismo e o transporte de carbonato para o oceano. Os fatores incluiriam o movimento dos continentes, a transformação das bacias oceânicas e o aprofundamento de longo prazo do fundo do mar, a formação de sistemas fluviais do Himalia e de uma província ígnea na Índia.

Com a intensificação do intemperismo e da produção de neve marinha, dióxido de carbono – CO2 – passou a ser retirado da atmosfera. A queda das concentrações atmosféricas, entre 50 e 35 milhões de anos atrás, teria iniciado o período de glaciação atual.

Os cientistas alertaram para a necessidade de compreender melhor como o aquecimento global poderá interferir na formação da neve marinha. Um dos efeitos da elevação das concentrações atmosféricas de CO2 é a acidificação das águas do oceano, o que reduz sua capacidade de armazenar o carbono.

Fonte: Universidade de Sidney
Imagem: Unsplash/ Gaia Armellin

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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