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Sequestro de carbono pelo setor agrícola

As culturas agrícolas em todo o mundo tem o potencial de sequestrar entre 0,90 e 1,85 gigatoneladas de carbono por ano, afirma estudo de um grupo internacional de pesquisadores. Dessa forma, a agricultura seria um setor crucial para a mitigação do aquecimento global e o sucesso do acordo climático de Paris.

Segundo o estudo, aproximadamente 50% de toda a superfície do planeta que poderia ser cultivada foi convertida em cultivos agrícolas ou pastagens, trazendo profundas mudanças para os ciclos de carbono, de água e de nutrientes. Os solos armazenam grande quantidade de carbono, mais de 3 vezes o total presente na atmosfera. A atividade agrícola emite o carbono dos solos para a atmosfera na forma principalmente de dióxido de carbono – CO2.

Estima-se que o setor agrícola responde por 24% de todas as emissões de gases de efeito estufa. Desde a Revolução Industrial, o uso e ocupação solo foi responsável pela emissão de cerca de 214 gigatoneladas de carbono. Em comparação, as emissões históricas da queima de combustíveis fósseis foram estimadas em 270 gigatoneladas de carbono.

Mas os solos podem atuar tanto como fonte quanto como sumidouro de carbono, dizem os pesquisadores. Práticas de manejo, como, por exemplo, a adição de adubos orgânicos ou a rotação de pastagens, podem aumentar os estoques de carbono presentes no solo. A principal forma em que o carbono fica armazenado nos solos é a matéria orgânica. 

Para avaliar o potencial de sequestro de carbono em terras cultivadas, o estudo se baseou em uma série de dados globais com informações básicas sobre os solos. Foram considerados um cenário médio e outro otimista de taxas de sequestro anuais. Os pesquisadores partiram da premissa de que solos cultivados perderam entre 50 a 70% da quantidade de carbono original. Também consideraram que os solos cultivados sequestrariam carbono por pelo menos 20 anos antes de atingir o ponto de saturação.

Os resultados apontaram que somente a camada superior de 30 centímetros dos solos cultivados globais poderiam sequestrar entre 0,9 e 1.85 gigatoneladas de carbono ao longo de 20 anos. Nesse cenário, práticas de manejo são disseminadas e adotadas em escala global, fazendo com que os solos explorados pela agricultura armazenem entre 0,55 e 1,15 toneladas de carbono por hectare por ano.

Mapa ilustrando o potencial de sequestro anual de carbono nos 30 primeiros cm em todos os solos agrícolas disponíveis. Fonte: figura 2 do estudo.

Em áreas de cultivo agrícola intensivo, o estudo identificou que a adoção do gerenciamento adequado traz resultados mais imediatos e práticos. Quantidades significativas de carbono podem ser sequestradas no curto prazo. Além da contribuir na mitigação do aquecimento global, as novas práticas trariam benefícios ligados, entre outros, à conservação do solo ou ao melhoramento da fertilidade e da capacidade de retenção de água.

Os pesquisadores reconhecem que a disseminação do manejo por todos os sistemas de produção globais seria gradual e lento. O estudo não incluiu a análise de impactos climáticos ou fatores como limitações de nutrientes e água, produção de biomassa e taxas de rotatividade. Outros fatores que interfeririam na viabilidade das práticas de manejo para sequestro de carbono pelo setor agrícola são a ausência de biomassa e outros insumos, questões de produtividade e de segurança alimentar.

Ainda assim, o estudo ressalta o potencial de armazenamento de carbono pelas atividades agrícolas. Apesar dos inúmeros constrangimentos, existe um grande potencial a ser explorado. E o setor agrícola precisa desenvolver estratégias de mitigação do aquecimento global, a fim de se evitar mudanças climáticas mais severas no futuro.

Mais informações: Global Sequestration Potential of Increased Organic Carbon in Cropland Soils
Imagem: Freeimages

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