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Secas mais frequentes em trecho da bacia do rio São Francisco

A região sub-média do rio São Francisco atravessa uma tendência de redução das chuvas, identificou estudo de cientistas da Universidade Federal de Pernambuco e de Évora, em Portugal.

Localizada no norte do estado da Bahia e oeste do estado de Pernambuco, a região sub-média do rio São Francisco se encontra no semi-árido nordestino. Ela corresponde a 17% da área total da bacia do São Francisco e abriga 83 municípios. As principais cidades são Juazeiro, Paulo Afonso, Petrolina e Serra Talhada.

O trecho do submédio do rio São Francisco apresenta um conjunto de usinas hidrelétricas: Paulo Afonso I, II, III e IV, Xingó, Itaparica e Moxotó.

De acordo com o estudo, o clima da região se caracteriza pela grande variabilidade, em especial da precipitação. A região também é marcada por eventos de secas extremas, que podem durar em média entre 7 e 10 meses. Tais características elevam os níveis de vulnerabilidade da população local aos fenômenos climáticos, e demandam soluções apropriadas para a gestão das águas.

O estudo se baseou no levantamento de séries históricas anuais de precipitação  de 36 postos pluviométricos distribuídos pela região sub-média do rio São Francisco. Os dados compreendiam o período entre 1964 e 2016. Os cientistas calcularam o Índice de Anomalia de Chuva – IAC -, utilizado na análise da frequência e intensidade de ocorrência de anos secos ou chuvosos.

Quando o índice apresenta valores positivos, as chuvas observadas no ano ficaram acima da média do período histórico. Valores negativos indicam chuvas abaixo da média, representando eventos de seca. O IAC foi analisado em uma escala que variava entre ‘extremamente seco’ a ‘extremamente chuvoso’.

Gráfico do índice de anomalia de chuva no submédio São Francisco entre 1964 e 2016. Fonte: figura 2 do estudo.

Identificou-se que anos úmidos predominaram na região entre 1964 e 1980. O IAC resultou positivo para 13 dos 16 anos. A partir de 1981, a frequência e a intensidade de anos mais secos aumenta significativamente. Essa tendência se acentua especialmente após 1990.

Para os cientistas, os resultados detectam uma alteração no padrão de chuvas da região sub-média do rio São Francisco. Se até a década de 1980, a ocorrência de anos secos foi relativamente rara, a partir de então anos secos se tornaram comuns, e anos classificados como muito secos ou extremamente secos passaram a ocorrer.

Considerando-se o todo o período, verificou-se maior frequência de anos secos do que de anos chuvosos. Quanto a eventos extremos, ocorreram entre 1964 e 1980 dois anos classificados como extremamente chuvosos e três extremamente secos. Os eventos extremos de seca foram registrados a partir da década de 1990.

A alteração das chuvas se traduziu em redução da disponibilidade hídrica regional, com impactos sobre a geração hidrelétrica e outros usos da água. O estudo ressaltou que, ao longo do período, a área ocupada pela agricultura praticamente triplicou. 

Assim, os cientistas alertaram para os riscos associados à manutenção da tendência registrada. Caso ela se perpetue como o novo padrão climático da região, o problema do atendimento das demandas de água pode se agravar.

Mais informações: Impacto das mudanças climáticas nos recursos hídricos no submédio da bacia hidrográfica do rio São Francisco – Brasil
Imagem: adaptado da figura 1 do estudo – localização da região sub-média do rio São Francisco

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