Press "Enter" to skip to content

As secas também migram de uma região para outra

A partir de um nova metodologia de análise, um time internacional de cientistas identificou que certos tipos de seca migram ao longo do tempo pelos continentes. Elas se movem da região onde se originaram para outras regiões.

A partir dessa descoberta, os cientistas sugerem que será possível prever com antecedência a ocorrência desse tipo de seca. Com isso, pode-se minimizar os impactos sobre as atividades humanas.

De acordo com o estudo, as pesquisas realizadas anteriormente sobre o fenômeno da seca geralmente restringiam a análise à séries temporais de variáveis climáticas de uma área específica. Fatores ligados às condições climáticas de áreas vizinhas, ou as conexões da seca com padrões de circulação atmosférica, eram ignorados.

Mapa de secas e migração no espaço
Número de secas que migraram entre 1979 e 2009, com indicação (setas azuis) do ponto de origem e a direção do movimento. Fonte: adaptado da figura 2 do estudo.

O trabalho buscou compreender como as secas evoluem simultaneamente no tempo e no espaço. Para tanto, os cientistas trabalharam com grupos de áreas diferentes, considerando os locais onde se formaram as secas e as áreas contíguas a esses locais.

A análise abrangeu eventos de seca registrados ao redor do mundo no período entre 1979 e 2009, rastreando suas características e comportamentos no espaço e ao longo do tempo.

O resultado mostrou que, apesar da maioria das secas tenderem a permanecer em uma única região, aproximadamente 10% delas se move no espaço. Dependendo do continente, essas secas migram entre 1.4000 e 3.100 quilômetros, estabelecendo-se em novas regiões.

Usualmente, as secas migradores se formam predominantemente em áreas específicas de cada um dos continentes e se movem na mesma direção. Elas também constituem as secas mais severas, causando os maiores impactos para as atividade humanas.

Apesar de não ter identificado as causas para o movimento das secas, o estudo permite a possibilidade de melhorar os serviços de previsão desse fenômeno. Isso permitirá um melhor planejamento para lidar com as condições climáticas desfavoráveis, em especial no contexto do aquecimento global.

Mais informações: Herrera‐Estrada, J.E., Satoh, Y. and Sheffield, J., 2017. Spatiotemporal dynamics of global droughtGeophysical Research Letters44(5), pp.2254-2263.
Imagem: Freeimages

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
%d blogueiros gostam disto: