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Secas comprometem o sequestro de carbono pela Amazônia

A seca extrema de 2005 provocou uma diminuição dos estoques de carbono armazenados na bacia amazônica, identificou estudo de um grupo de pesquisadores de universidades dos Estados Unidos. Eles alertaram que, devido ao aquecimento global, a frequência de secas na região deve aumentar, comprometendo o papel da Amazônia de sumidouro de carbono.

Estima-se que a floresta amazônica concentre quase a metade de todo o carbono sequestrado pelas florestas tropicais em todo o mundo. Ela constitui um fundamental elemento do sistema climático, atuando, entre outros coisas, na absorção de parte do dióxido de carbono – CO2 – emitido por fontes humanas.

A floresta contribui, dessa forma, para mitigar o aumento das concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa.

Todavia, segundo o estudo, nas últimas duas décadas a região amazônica experimentou vários episódios de secas extremas. A começar pela forte seca provocada pelo El Nino de 1998-99, passando por eventos semelhantes, de severo déficit hídrico em 2005, 2010 e 2015-2016. 

Pesquisas anteriores de pontos isolados da Amazônia detectaram os impactos das secas. A mortalidade de árvores sobe em função dos eventos, e os locais analisados, de sumidouros de carbono, converteram-se temporariamente em fontes emissoras de CO2 para a atmosfera.

Não havia, no entanto, um levantamento dos efeitos da seca contemplando toda a bacia amazônica. Para realizar esse levantamento, os pesquisadores utilizaram informações da estrutura da floresta obtidas por satélites entre 2003 e 2008. Eles examinaram se houve mudanças generalizadas na estrutura e no dossel da floresta, calculando, a partir daí, os fluxos de carbono de toda a Amazônia.

Após a seca de 2005, o estudo identificou uma grande perda de carbono em toda a bacia amazônica. Nos três anos seguintes ao evento, a quantidade de carbono perdida somou cerca de 0,3 bilhões de toneladas anualmente. A persistência da perda de carbono ao longo dos anos aponta para um impacto gradual e prolongado dos eventos de secas.

Os resultados das informações de satélite estiveram de acordo com as pesquisas anteriores, realizadas em escalas menores e documentando o aumento da mortalidade e o potencial declínio da produtividade de árvores.

Se os eventos de seca se tornarem mais frequentes no futuro, como indicam as projeções de modelos climáticos, os pesquisadores ressaltaram que a Amazônia pode deixar de cumprir o papel de sumidouro de carbono da atmosfera.

Mais informações: Post-drought decline of the Amazon carbon sink
Imagem: adaptado da figura 1 do estudo – mapa de severidade da seca na Amazônia

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