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Renováveis subestimadas no planejamento brasileiro

O planejamento energético brasileiro subestima o potencial de utilização de fontes renováveis de energia, aponta artigo de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE – e da Universidade Federal de São Paulo.

O setor de energia representa uma das principais fontes de emissão de gases de efeito estufa. Segundo o artigo, cerca de 69% das emissões globais tem origem na queima de combustíveis fósseis – carvão, gás natural e petróleo.

Dessa forma, limitar o aquecimento global demandará tanto ganhos na eficiência energética quanto uma descarbonização da matriz energética mundial. Os combustíveis fósseis deverão ser substituídos por outras fontes de geração de energia, como, por exemplo, solar e eólica.

No Brasil, o artigo aponta que o sistema elétrico se baseia predominantemente em hidrelétricas, uma opção renovável. No entanto, a intensidade energética da economia brasileira tem subido em 2% ao ano recentemente, dado que o consumo de energia elétrica per capita cresce acima da evolução do PIB.

Em um cenário de intensidade energética crescente, o país registra também um crescimento na participação de termelétricas baseadas em combustíveis fósseis – em especial o gás natural. Em 2014, o artigo cita que as térmicas responderam por 25% da oferta interna de energia, enquanto se registrava uma queda das hidrelétricas – de 85% em 2012 para 65% em 2014.

A matriz energética brasileira portanto entrou em um processo de carbonização. Com isso, subiram as emissões de dióxido de carbono – CO2 – do setor. Em dois anos, elas passaram de 82 para 137 gramas de CO2 por kWh.

Os pesquisadores analisaram os cenários de expansão da matriz energética brasileira, investigando as projeções de participação das fontes eólica e solar na geração. Buscou-se identificar restrições e potencialidades para
o crescimento da participação das fontes renováveis.

As metas do Governo Federal para o setor elétrico brasileiro foram consideradas modestas frente ao vasto potencial de energia renovável disponível. Elas poderiam ser prejudicados pela implementação de até 18 GW de capacidade instalada, possivelmente de térmicas, para suprir a carga de ponta no sistema elétrico.

Além disso, o potencial das fontes solar e eólica estaria sendo subutilizado no planejamento energético nacional. Pesquisas sugerem que essas fontes teriam um potencial maior de participação na matriz nacional do que o incluído nos planos oficiais. Um combinação de grande disponibilidade de recursos e custo de geração competitivo viabilizam uma maior expansão.

Mas ainda há incertezas em relação às tecnologias renováveis. Uma vez que consistem em fontes intermitentes, elas exigem flexibilidade de outras unidades geradoras do sistema para responder à rápidas variações na geração. O parque hidrotérmico brasileiro pode não estar adaptado.

Outras tecnologia também introduzem incerteza sobre a configuração futura da matriz elétrica do Brasil. Elas influenciam o lado da demanda. Entre elas, inclui-se o desenvolvimento de carros elétricos e a implementação de smartgrids.

Os pesquisadores alertaram para as importantes implicações das decisões atuais no desenvolvimento futuro da geração elétrica no Brasil. O caminho de expansão das térmicas pode elevar os custos da energia no país, comprometendo a redução das emissões de CO2.

Mais informações: Cenários de expansão da geração solar e eólica na matriz elétrica brasileira
Imagem: Unsplash/ Kai Gradert

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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