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Efeito da renda, mobilidade e habitação nas emissões

As pessoas com a maior renda emitem quantidades maiores de gases de efeito estufa. Mas a diferença no volume de emissões entre mais ricos e mais pobres depende também da mobilidade e habitação, identificou estudo de cientistas sociais de uma universidade da Suíça.

O comportamento das famílias e dos indivíduos privados exerce um papel importante na quantidade de gases de efeito estufa emitidos em uma sociedade. Por exemplo, no caso da mobilidade, a Suíça consiste em uma das sociedades mais motorizadas do mundo.

Isso ocorre apesar do discurso sobre a eletrificação do transporte e da disponibilidade de um sistema de transporte público bem desenvolvido no país.

Nesse sentido, o estudo investigou até como as emissões de dióxido de carbono – CO2 – diferiam entre indivíduos na Suíça. Também se avaliou até que ponto a renda e a consciência ambiental afetam as emissões, considerando a mobilidade, a moradia e a alimentação.

Os cientistas utilizaram uma pesquisa nacional realizada no país em 2007. A partir dos dados, foi elaborado uma avaliação do ciclo de vida dos mais de 3.000 entrevistados, gerando-se uma estimativa das emissões per capita.

Os resultados mostraram uma enorme diferença entre os 10% menores emissores, com uma média de 2.300 quilos de CO2, e os 10% maiores emissores, com uma média de 14.000 quilos de CO2. Com isso, os maiores emissores representaram 23% das emissões, enquanto os menores emissores, apenas 4%.

A fim de identificar os motivos de tamanha discrepância, os cientistas compararam os dois grupos em termos de renda, mobilidade, habitação e alimentação. Em um país com baixa desigualdade social, eles encontraram uma pequena influência da renda sobre a quantidade de emissões per capita.

O grupo dos 10% mais ricos emitia quase duas vezes mais gases do que o grupo dos 10% mais pobres. O aumento da renda traz consigo um aumento do consumo, o que implica em maior impacto ambiental. Mas o efeito da renda foi menor do que o esperado.

O principal fator contribuinte para a elevação das emissões per capita foi a mobilidade. Na Suíça, os 10% indivíduos com hábitos de mobilidade mais intensivos responderam por emissões 23 vezes superiores aos 10% menos intensivos.

Outro elemento importante foi a habitação, cuja diferença entre maiores e menores emissores foi de quase 5 vezes. A menor diferença se verificou em termos da alimentação, talvez, segundo o estudo, devido à conscientização a favor de alimentos mais saudáveis.

Apesar da renda apresentar um efeito geral menor do que o esperado, ela esteve fortemente associada às variações na quantidade de emissões observadas em habitações e em mobilidade. Assim, dentro de uma mesma faixa de renda, verificaram-se grandes diferenças na pegada de carbono.

Portanto, há uma grande possibilidade de corte de emissões dentro de cada faixa de renda. Isso pode ser obtido por meio de instrumentos direcionados à eficiência energética, promoção de melhores tecnologias, entre outros.

O estudo registrou que o consumo de eletricidade, e consequentemente as emissões, foram bem menores entre mulheres do que entre homens.

Deve-se ressaltar que os resultados do estudo dependem em grande medida da metodologia adotada. O cálculo per capita podem incluir ou não as emissões associadas aos produtos importados e consumidos no país.

No caso da Suíça, a inclusão das emissões de produtos importados impacta dramaticamente o cálculo das emissões per capita. De uma média de 4.900 quilos de CO2 equivalente por pessoa, o valor sobe para 14.100 quilos de CO2eq.

Fonte: ETH Zurique
Imagem: Pixabay

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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