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Rastreando o aumento do nível do mar

Uma das consequências do aquecimento global é o aumento no nível médio do mar. O aumento é causado pela derretimento de geleiras e calotas polares e pela expansão térmica das águas dos oceanos. A alteração do nível do mar não ocorre de maneira uniforme. Pelo contrário, ele se dá de forma bastante variável ao redor do planeta.

Essa diversidade geográfica do aumento do nível do mar está em parte relacionada com a força gravitacional das calotas polares. Em função de suas enormes massas, as calotas polares da Groenlândia e da Antártica apresentam força gravitacional forte o suficiente para atrair as águas dos oceanos que as circundam. Elas fazem com que o nível do mar suba localmente.

Contudo, o derretimento causado pelo aquecimento global, ao diminuir a massa das calotas polares, diminui também sua força gravitacional. Com isso, o nível do mar localmente diminui, sendo contrabalançado por um aumento em outros lugares do planeta. Esse efeito acontece juntamente com a descarga de largos volumes de água pelas calotas polares, gerando o padrão de diversidade regional do aumento do nível do mar.

Os cientistas denominam esse padrão de impressão digital do nível do mar. E ele foi pela primeira vez detectado por meio de um estudo da NASA e da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Para tanto, o time de pesquisadores usou dados de monitoramento da gravidade realizado por satélite no período entre abril de 2002 e outubro de 2014. Os resultados foram comparados a observações do fundo do oceano realizado por estações de monitoramento localizadas nos trópicos.

Impressão digital do aumento anual do nível do mar, calculada em milímetros, para o período 2002-2014. A linha azul mostra a média de aumento do nível do mar, caso a água adicionada se espalhasse de modo uniforme pelo planeta. Fonte: NASA/UCI

A impressão digital do nível do mar se caracteriza pela redução do nível do mar nas regiões dos pólos em que se registra as maiores taxas de derretimento das calotas polares (cor azul do mapa acima). As diferenças detectadas entre o pólo norte e o pólo sul refletem as diferentes contribuições – a perda de massa para os oceanos – da Gronelândia e do oeste da Antártica. A impressão digital do nível do mar é ao mesmo tempo marcada por uma concentração do aumento em regiões de médias e baixas latitudes, especialmente nos trópicos (cor vermelha escura no gráfico acima).

Do total da massa adicionada às águas dos oceanos, 43% foi proveniente da Groenlândia, 16% da Antártica e 30% das geleiras distribuídas nos outros continentes do planeta. O aumento do nível médio global do mar registrado entre 2002 e 2014 foi de 1,8 milímetros por ano. Regionalmente, entretanto, as taxas anuais do nível do mar variaram significativamente.

Os resultados do estudo irão auxiliar nas projeções do aumento futuro do nível do mar causado pelo aquecimento global.

Mais informações: NASA/Evidence of sea level ‘fingerprints’
Imagem destacada: NASA/UCI – animação retratando a variação do nível do mar entre 2002 e 2014

 

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