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As queimadas podem interferir no sequestro de carbono em longo prazo

Em longo prazo, as queimadas tem impacto sobre a quantidade de carbono armazenado pelos solos. Esse efeito não foi considerado de forma adequada nas projeções futuras de emissões de gases de efeito estufa, diz estudo de cientistas dos Estados Unidos e da Suécia.

Em função do aquecimento global, a freqüência de incêndios está se alterando em escala global. Todavia, as implicações dessa mudanças para a quantidade de carbono sequestrada e armazenada pelos solos ainda era pouco conhecida. Há muitas incertezas sobre o modo como os ecossistemas respondem às mudanças de longo prazo no regime do fogo.

Segundo os cientistas, a maiorias das pesquisas realizadas sobre o assunto avaliava um único evento de incêndio. O entendimento era de que as queimadas teriam um efeito pequeno sobre os solos, pelo menos em curto prazo. O estudo examinou o impacto de incêndio no carbono e na fertilidade do solo com foco no longo prazo.

Utilizando dados cobrindo um período superior a 65 anos, o estudo avaliou como os ecossistemas se adequam ao longo das décadas a um novo regime de queimadas. Abrangendo três tipos diferentes de paisagens em 48 locais distribuídos ao redor do mundo, incluindo savanas – como o cerrado – e florestas, amostras de solo foram sistematicamente coletadas.

Em todos os locais, os cientistas monitoraram a frequência de queimadas. Por meio de análises de laboratório, as amostras coletadas foram caracterizadas quanto a quantidade de nutrientes e de carbono presente. Os resultados mostraram, ao longo das décadas, uma diminuição de 36% do carbono e de 38% do nitrogênio do solo em áreas freqüentemente queimadas de savanas e florestas. 

A partir de um modelo computacional da vegetação, os cientistas investigaram como as queimada e a redução da quantidade de carbono e de nitrogênio influenciavam o desenvolvimento das plantas. Eles identificaram que a produtividade da vegetação diminuía. Ela parava de crescer tão rapidamente quanto antes, levando a uma redução adicional na quantidade de carbono sequestrada da atmosfera e armazenada em matéria vegetal.

Dessa forma, as estimativas dos impactos do fogo sobre o sequestro de carbono pelos ecossistemas terrestres pode estar significativamente subestimada. O aumento na frequência de queimadas tende a causar uma grande redução no sequestro de carbono.

O estudo sugere que o manejo dos solos terá de se adequar às mudanças climática. Em especial em regiões que registrarem condições climáticas mais secas e mais quentes, favorecendo a ocorrência de queimadas. Deve-se analisar quanto e com que frequência realizar queimadas controladas.

Fonte: Universidade de Stanford
Imagem: Flickr/ Otávio Nogueira

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