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Proposição de nova classificação de riscos climáticos

A partir da avaliação de cenários climáticos futuros, cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, propuseram uma revisão das categorias utilizadas em estudos de avaliação de risco. Devido às ameaças ligadas à velocidade do aquecimento global, eles propuseram a criação de duas novas categorias: risco catastrófico e risco desconhecido.

As categorias foram propostas depois que os cientistas estudaram projeções climáticas cuja probabilidade de acontecer é de cinco por cento ou menos, mas com impactos extremamente altos. Em geral, esses cenários estão associados ao aumento da temperatura média da superfície terrestre.

O acordo climático de Paris propôs a meta de manter o aquecimento global abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais. Mesmo um aumento de até 1,5°C  traz consigo riscos considerados perigosos, com o potencial de causar danos substanciais aos sistemas humanos e naturais. Entre os riscos associados a esse aumento de temperatura estão, por exemplo, a ocorrência eventos extremos, incluindo de ondas de calor, furacões e inundações mais intensas, até secas prolongadas.

A magnitude e intensidade dos riscos sobe consideravelmente em proporção ao aumento futuro da temperatura. Para níveis de aquecimento planetário entre 3°C e 5°C, existe a possibilidade de pontos de inflexão serem ultrapassados. Pontos de inflexão são limites a partir dos quais uma série de pequenas mudanças se tornam significativas o bastante para causar uma mudança maior e mais importante.

Entre os pontos de inflexão considerados pela ciência, incluem-se o colapso da calota polar no oeste da Antártica, gerando um substancial aumento do nível do mar global. Outro ponto seria a savanização da Amazônia, com severas consequências para o clima mundial e para o sequestro de carbono da atmosfera.

O estudo explorou os cenários de entre 3°C e 5°C de aquecimento global, focando em riscos de alto impacto com probabilidade de ocorrência de 5% ou menos. Seria o mesmo, disseram os cientistas, que embarcar em um avião cuja chance de cair seria de 1 em cada 20. Em um cenário de 3°C, a categoria de risco catastrófica descreveria, por exemplo, ondas de calor mortais se tornarem mais comuns.

Em um cenário de 5°C, as consequências poderiam ser tão graves que os cientistas a classificaram como desconhecidas, reconhecendo a subjetividade e também a dificuldade na avaliação do risco. Eles incluíram, entre outros, sérias interferências na saúde humana, larga extinção de espécies, ou perturbações na disponibilidade hídrica e na produção de alimentos.

O gráfico no início deste artigo ilustra a relação entre temperatura e riscos. Ele apresenta a projeção de aquecimento global para 4 diferentes cenários. A linha verde representa o limite de 1,5oC, o que seria alcançado através de uma agressiva redução de emissões de gases de efeito estufa. Pode-se observar que a linha se estende à direita para a área de riscos considerados perigosos. No caso das linhas vermelha, marrom e tracejada, representando temperaturas maiores, predominam riscos catastróficos, com probabilidades de riscos desconhecidos.

Com base nos resultados, os cientistas alertaram para a urgência na eliminação de emissões de gases de efeito estufa. Também sugerem melhorar a eficiência energética, adotar amplamente a energia renovável, e desenvolver estratégias de captura e seqüestro de CO2 do ar.

Mais informações: New Climate Risk Classification Created to Account for Potential “Existential” Threats
Imagem: Gráfico retirado do estudo

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