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Projetando o impacto do aquecimento global nas chuvas

Uma das teorias da ciência do clima afirma que o aquecimento global tende a provocar chuvas mais intensas. Ao aquecer, a atmosfera expande sua capacidade de conter maior quantidade de vapor d’água, ao mesmo tempo em que mais água evapora dos oceanos. Uma maior umidade da atmosfera levaria à possibilidade de chuvas mais pesadas.

Essa regra não se aplicaria a todas as regiões do planeta, alerta estudo publicado por cientistas do Reino Unido. Eles pesquisaram as implicações do aquecimento global em climas áridos, onde a disponibilidade de umidade é limitada, e a precipitação está ligada a eventos curtos e intensos de chuva. O resultado do estudo indica o contrário do que propõe a teoria.

De acordo com os cientistas, nas regiões áridas predominam as chuvas do tipo convectivas. Esse tipo de chuva tem origem no aquecimento de massas úmidas do ar próximas à superfície, que tendem a subir para pontos mais elevados da atmosfera. Com isso, as massa de ar resfriam, saturando a atmosfera de umidade e provocando a chuva.

O problema é que havia pouca informação sobre como o aquecimento interferiria nas características da chuva convectiva de regiões áridas. Além da dificuldade de monitorar esse tipo de precipitação nas zonas áridas, os modelos computacionais do clima, globais ou regionais, não eram capazes de simular essas condições meteorológicas apropriadamente.

A análise dos cientistas se baseou em mais de 50 anos de dados detalhados sobre a precipitação em uma bacia de drenagem da região semi-árida do sudeste do Arizona, nos Estados Unidos. A região apresentou uma tendência ascendente das temperaturas durante o período.

Os resultados revelaram que o aumento das temperaturas foi acompanhado de um declínio na intensidade das chuvas, apesar da quantidade total de chuvas também aumentar ao longo dos anos. A longo prazo, observou-se uma diminuição dos eventos de grande precipitação, enquanto que o número de eventos menores, com menos chuva, subiu.

Analisando os dados, os cientistas desenvolveram um novo modelo computacional para simular as mudanças climáticas em regiões áridas. Ao aplicar o modelo para a zona semi-árida do Arizona, eles verificaram  que as alterações históricas no padrão das chuvas provavelmente causou um menor escoamento de água na bacia hidrográfica. Isso sugere que locais que apresentarem a mesma tendência podem sofrer problemas de disponibilidade de água em cursos d’água, afetando atividades como abastecimento ou irrigação.

Mais informações: University of Bristol
Imagem: Arizona – Freeimages

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