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Projeções do derretimento de geleiras

As geleiras dos continentes continuarão a derreter em resposta ao aquecimento global. Estima-se que elas irão perder entre 18% e 36% da massa atual até 2100, afirmou estudo de um time internacional de cientistas.

Distribuídas em diversos pontos do planeta, as geleiras de montanhas – fora da Groenlândia e da Antártica – constituem um dos principais indicadores das mudanças em curso no sistema climático terrestre. Elas atravessam uma tendência global de retração.

Existem aproximadamente 200 mil geleiras de montanhas, ocupando uma área total de aproximadamente 706 mil quilômetros quadrados. Elas possuem gelo suficiente para elevar o nível médio do mar em cerca de 0,4 metros, caso derretessem completamente.

Pesquisas anteriores estimaram que entre 1991 e 2004, o derretimento das geleiras continentais respondeu por entre 20% e 30% do aumento do nível médio do mar registrado no período. Entre 2003 e 2009, perderam aproximadamente 259 milhões de toneladas de gelo, correspondendo a cerca de 30% do aumento do nível médio do mar. O derretimento teria sido de 335 milhões de toneladas entre 2006 e 2016.

O estudo teve por objetivo comparar diferentes projeções de retração das geleiras continentais fora da Groenlândia e da Antártica. Para tanto, os cientistas analisaram seis diferentes modelos computacionais e simulações realizados por diversos centros de pesquisa científica independentes.

As simulações incluíram cenários futuros de baixas a altas emissões de gases de efeito estufa. Eles projetaram a perda de massa das geleiras até 2100 para cada cenário, em comparação com os níveis registrados em 2015.

Todas as projeções apontaram para perdas globais de massa das geleiras até 2100, mas com grande variação entre os diferentes modelos. De modo geral, quanto mais aumentar a temperatura média global, maior tenderá a ser a perda de massa das geleiras de montanhas.

Em um cenários de baixas emissões de gases de efeito estufa, as simulações mostraram uma perda de massa de 14% a 24% do total observado em 2015. As perdas seriam significativamente maiores no cenário de altas emissões. As projeções sugeriram perdas de 27% a 48% da massa das geleiras até 2100.

Como resultado, a contribuição das geleiras de montanha para o aumento do nível médio do mar variaria entre 87 mm e 115 mm no cenário de baixas, e entre 165 mm e 221 mm no cenário de altas emissões. A maior parte viria de regiões com grande quantidade de geleiras, mesma que as perdas relativas sejam menores do que em outras áreas.

Os cientistas esperam que as divergências entre projeções de diferentes modelos diminua com o avanço na pesquisa e no levantamento de dados. Com isso, será possível aprimorar as simulações dos efeitos do aquecimento global na retração das geleiras de todo o mundo.

Mais informações: Giesen, Rianne, et al. “GlacierMIP-A model intercomparison of global-scale glacier mass-balance models and projections.” EGU General Assembly Conference Abstracts. Vol. 18. 2016.
Imagem: figura 1 do estudo – mapa de localização de geleiras e área ocupada

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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