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Produtividade da soja gaúcha com o aquecimento global

A produtividade das plantações de soja no Rio Grande do Sul poderia aumentar sob a influência do aquecimento global, indica estudo de pesquisadores brasileiros. Avaliando um cenário de altas e outro de médias emissões de gases de efeito estufa, o estudo utilizou um modelo computacional do ciclo da soja para projetar a influência sobre o plantio ao longo do século XXI.

Três países respondem por quase 80% da produção mundial de soja. Além do Brasil, os outros dois são a Argentina e os Estados Unidos. Segundo a Deagro/FIESP, a safra mundial de soja colhida em 2016/17 foi de 351,8 milhões de toneladas, sendo o Brasil o maior exportador do grão, com quase 62 milhões de toneladas. Com área plantada de aproximadamente 5,6 milhões de hectares, o Rio Grande do Sul é o terceiro maior estado brasileiro produtor de soja, ficando atrás do Mato Grosso e do Paraná.

O estudo não considerou a interferência de fatores bióticos, como pestes ou doenças, ou de fatores abióticos, como aqueles relacionados aos nutrientes do solo. O potencial de produtividade do plantio considera somente os efeitos da temperatura, da radiação solar e do gás carbônico sobre as plantas durante a estação de crescimento.

A fertilização por CO2 foi apontado como o principal fator a projeção de maior incremento na produtividade do estado. A fertilização constitui o estímulo ao crescimento de plantas como a soja originado do aumento das concentrações atmosféricas do CO2. O incremento na produtividade foi menor no cenário de altas emissões de gase de efeito estufa, devido ao impacto negativo das maiores temperaturas.

Para o cenário de médias emissões, cuja simulação do clima regional futuro aponta uma condição mais seca, quando os modelos consideraram o balanço hídrico, os resultados mostraram uma redução da produtividade.

Nota do ciência e clima:
A realização de projeções é um exercício fundamental para planejar ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Todavia, é imprescindível que esses tipos de estudo tragam uma análise das limitações e incertezas ligadas aos modelos utilizados e às variáveis climáticas analisadas. É o caso, por exemplo, de alterações no regime de chuvas e na frequência de eventos extremos, fatores decisivos para a atividade agrícola.

Mais informações: Soybean yield in future climate scenarios for the state of Rio Grande do Sul, Brazil
Imagem: Free Images/Roberto Ribeiro

 

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