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Princípios para orientar os investidores em tempos de aquecimento global

Os investidores possuem um papel fundamental para que empresas e negócios mitiguem o aquecimento global por meio da redução de emissões de gases de efeito estufa. A fim de orientar os investidores em suas decisões, artigo de pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, sugere a adoção de três princípios para a avaliação de novos negócios.

A proposta teve inspiração nos Princípios de Sullivan, desenvolvidos em 1977 para auxiliar investidores a avaliar os investimento em empresas da África do Sul durante o regime do apartheid. Os Princípios de Sullivan estabeleciam diretrizes para identificar investimentos em empresas que fossem moralmente aceitáveis.

De acordo com os pesquisadores, princípios direcionados à mitigação do aquecimento global funcionariam de maneira similar. Serviriam para informar os investidores a respeito das decisões mais adequadas e também como um código de conduta para as empresas.

Há dois fatos fundamentais para um investimento responsável do ponto de vista do aquecimento global. O primeiro é a necessidade de eliminar as emissões de CO2 para estabilizar a temperatura média global. O segundo é que, para atingir a meta de estabilização do acordo climático de Paris, as emissões devem ser zeradas muito antes da temperatura média global ter alcançado 2oC acima do nível pré-industrial.

A mitigação do aquecimento global constitui uma questão central para as empresas, afirmam os pesquisadores. As mudanças climáticas originadas pelo aquecimento trazem uma gama de riscos para os negócios. Entre eles, por exemplo, incluem-se a alteração da economia industrial através de políticas e regulamentos e os impactos na cadeia de suprimentos das empresas.

Os princípios sugeridos pelo artigo são:

  1. Comprometimento com a eliminação das emissões de CO2. O comprometimento deve se traduzir no estabelecimento de uma data limite para que a empresa zere as emissões de todas as suas atividades, incluindo a cadeia de suprimentos e os produtos vendidos;
  2. Desenvolvimento de um modelo de negócio sem emissões e lucrativo. Os executivos das companhias tem de elaborar um plano de negócio voltado à garantia do lucro e diminuição dos riscos ligados à cadeia de suprimentos, uma vez que a meta de zerar as emissões tenha sido atingida;
  3.  Estabelecimento de metas de médio-prazo. Trata-se de detalhar como ocorrerá a redução das emissões pela empresa, seu ritmo e trajetória. 

O artigo apresenta um breve estudo de caso de três grandes companhias – a mineradora e exploradora de óleo e gás BHP Billiton, a Unilever e a empresa de energia renovável Statkraft. Os pesquisadores identificaram que nenhuma delas atende plenamente a todos os princípios sugeridos, mas acreditam que fazê-lo estaria ao alcance delas no futuro.

Investidores e empresas terão de aprender a fazer negócios restringindo as emissões e se adaptando às mudanças climáticas. Os pesquisadores esperam que os princípios auxiliem investidores a tomarem decisões informadas, direcionadas à estabilidade do sistema climático.

Fonte: Oxford Marin School
Mais informações: Principles to guide investment towards a stable climate
Imagem: Pixabay

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