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O potencial de sequestro de carbono pelas florestas e solos

Os solos e os ecossistemas terrestres podem responder por até 37% das reduções de CO2 até 2030, afirma estudo organizado pela organização não governamental Conservação Internacional. Adotando práticas de gestão adequadas, a quantidade de carbono que pode ser potencialmente sequestrado pelos solos e ecossistemas terrestres é maior do que o estimado anteriormente.

É cada vez maior o reconhecimento de que o acordo climático de Paris não será suficiente para atingir a meta de aquecimento global de no máximo 2°C acima do nível pré-industrial. De acordo com a Conservação Internacional, o mais provável é o aquecimento ficar em torno de 4°C. Os países ainda se mostram dependentes dos combustíveis fósseis para o desenvolvimento e o crescimento econômico.

Só um milagre tecnológico eliminaria as emissões de gases de efeito estufa na velocidade necessária para atingir a meta do acordo de Paris. Dessa forma, além da redução das emissões pelos países, algum método de retirada do carbono da atmosfera deve ser implementado. Em vez de explorar técnicas de captura e armazenamento de carbono, os cientistas investigaram o potencial de sequestro pelas árvores, plantas e pelo solo. 

O estudo reuniu um grupo de cientistas e economistas de quinze instituições em todo o mundo, incluindo o Ministério da Agricultura brasileiro. O objetivo foi identificar ações de conservação, restauração ou gestão de terras que aumentam o sequestro de carbono ou evitam emissões de gases de efeito estufa, calculando a quantidade de carbono armazenado ou que deixou de ser emitido.

Foram considerados três biomas – florestas, zonas úmidas e pastagens. O estudo efetuou uma análise econômica das diferentes práticas a partir de cenários futuros de mitigação do aquecimento global. Comparou-se o custo de implantação dessas práticas frente ao custo projetado das mudanças climáticas. Dividiu-se as formas que se mostraram mais eficientes na redução das emissões em 20 categorias, separadas por cada um dos biomas.

Os resultados sugerem um potencial máximo de sequestro de carbono pelos solos e ecossistemas terrestres de 23.8 petagramas de CO2e por ano, aproximadamente 66% das emissões anuais globais em 2016. O potencial máximo foi cerca de 30% maior do que o estimado anteriormente. Metade desse potencial custaria menos de US$ 100,00 por tonelada de CO2 para ser implantada, contribuindo com 37% da redução das emissões para manter a temperatura abaixo dos 2°C.

Quase 50% das alternativas de menor custo estiveram associados ao bioma das florestas, enquanto que pastagens agrícolas reuniram 25% delas, e zonas úmidas, 20%. Mas fatores como a geografia e a economia do país influenciam na definição das medidas mais importantes nacionalmente. Além da mitigação do aquecimento global, as soluções identificadas no estudo trazem também outros benefícios, como controle de inundações ou melhoria dos solos.

Contudo, a efetividade das ações de conservação, restauração ou gestão identificadas no estudo está ligada ao tempo. Deve-se iniciar sua implantação em curto prazo. É a chance de transformar setores que hoje contribuem com o aquecimento global em parceiros em sua mitigação.

Fonte: Conservação Internacional
Imagem: Flickr/ Otávio Nogueira

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