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Por que é urgente parar o aquecimento global?

É urgente parar o aquecimento global, a fim de se evitar, em consequência, impactos extremamente severos das mudanças climáticas. Uma das principais características do fenômeno é a velocidade com que está ocorrendo, em taxas sem precedentes nos últimos milhares de anos.

Esse sentido de urgência pode ser identificado na Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, tratado internacional que entrou em vigor em 1994 e foi ratificado por 197 países. A Convenção tem como objetivo:

  • “estabilizar a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera em um nível que impeça uma interferência antropogênica perigosa no sistema climático. Esse nível deve ser alcançado dentro de um período de tempo suficiente para os ecossistemas terrestres se adaptarem às mudanças climáticas, para garantir que a produção de alimentos não seja ameaçada e para permitir que o desenvolvimento econômico prossiga de maneira sustentável.”

O texto da Convenção aponta o motivo da urgência em parar o aquecimento global. A velocidade com que o sistema climático tem acumulado energia adicional coloca em risco fatores fundamentais para as sociedades humanas, como a capacidade de adaptação dos ecossistemas terrestres, a produção de alimentos e o desenvolvimento econômico.

Mas para entender melhor a ameaça que o atual aquecimento global representa, uma das alternativas é comparar com as alterações do sistema climático na passado. Uma delas pode ser visualizada através da animação acima, produzida por pesquisadores da Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique, na Suíça.

Os pesquisadores reconstruíram as condições observadas na superfície do planeta a partir do auge da última glaciação, há cerca de 21.000 anos atrás. A animação começa na era do gelo, passa pelo presente e termina no ano 3.000.

As linhas amarelas mostram os limites atuais dos continentes. Os gráficos em baixo, à direita, trazem as concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2 -, a temperatura média global, o nível médio do mar, e a população mundial. Os níveis registrados presente são indicados pelas linhas vermelhas.

A projeção futura considerou a estabilização das concentrações atmosféricas de CO2 em 550 partes por milhão – ppm – até 2100. Não foi levado em consideração um possível crescimento populacional, mantendo-se os níveis atuais, de 7 bilhões de pessoas. A projeção traz o número de pessoas que vive em áreas futuramente afetadas pelo aumento do nível do mar.

A animação começa há 19 mil anos atrás, quando, sob a influência de variações na órbita e no eixo terrestres, e também do aumento do CO2 atmosférico, chega ao fim a glaciação. Calotas polares e gelo marinho ocupam boa parte do hemisfério norte. No mundo todo, as geleiras continentais abrangem largas extensões, como, por exemplo, no Himalaia, nos Andes, no sul da Oceania e nos Alpes europeus.

O sistema climático armazenava uma quantidade bem menor de energia. Estima-se que a temperatura média global era de 9ºC. Em função da água estocada em massas de gelo bem maiores do que as atuais, o nível médio do mar era cerca de 120 metros menor. Com menos energia e calor, havia menos evaporação e chuvas, portanto os continentes abrigavam climas mais áridos e menor cobertura vegetal.

Em resposta às modificações de fatores externos – na órbita, eixo terrestre e CO2 -, o sistema climático passa a acumular energia, levando a um aquecimento global. O auge desse processo tem lugar entre 6.000 e 5.000 mil anos atrás, quando a temperatura média global alcança 14,2ºC.

Esse período é chamado de máximo termal do Holoceno. As massas de gelo ainda estão se ajustando às novas condições, e o nível do mar, em tendência crescente, ainda permanece 14 metros menor do que no presente. Vale ressaltar que as mudanças no sistema climático se dão ao longo de 13.000 mil anos.

A partir do máximo termal do Holoceno, a temperatura média global volta a cair gradualmente. De 14,2ºC, desce para 13,7ºC por volta de 1.500, ano do descobrimento do Brasil. Nesse ponto, as massas de gelo se ajustaram às novas condições do sistema climático, e o nível do mar havia atingido os níveis atuais.

As condições mais quentes e úmidas do sistema climático fizeram com que ecossistemas terrestres de vegetação mais densa se expandissem formidavelmente. É o caso, por exemplo, da floresta tropical da Amazônia e das florestas tropicais da África central. A localização e a extensão das regiões áridas também sofreu variações.

Desde a Revolução Industrial, as emissões provocadas pelas atividades humanas causaram um aumento vertiginoso das concentrações atmosféricas de CO2. A taxa de injeção de gases de efeito estufa na atmosfera pela queima de combustível fóssil e pelo desmatamento, especialmente depois da década de 1950, não encontra precedentes.

Em cenários futuros de manutenção das taxas atuais de emissão de gases de efeito estufa, as projeções do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês – apontam para um aumento da temperatura global entre 3,2ºC e 5,4ºC até 2100. O tempo de referência é o período pré-industrial, considerado como a média dos anos compreendidos entre 1850 e 1900.

Dessa forma, o aquecimento global causado pelas atividades humanas poderá ter proporções semelhantes àquele que causou o fim da última glaciação. Entre o auge da era do gelo e o máximo termal do Holoceno, a temperatura média global cresceu cerca de 5,2ºC.

Mas a grande parte do aquecimento atual ficará concentrada neste século. As projeções dos cenários de altas emissões do IPCC sugerem um aumento da temperatura neste século entre 2,6ºC e 4,8ºC. Ou seja, o sistema climático poderá ganhar uma quantidade semelhante de energia adicional, só que, em vez de milhares de anos, em apenas 100.

A animação ilustra como as mudanças do sistema climático incluem a resposta e a adaptação dos ecossistemas terrestres. Se eles tiveram o tempo a seu favor no passado, pois as alterações se desdobravam ao longo de milênios, tem agora o tempo contra eles. Encontram-se em risco, assim como em risco está a produção de alimentos e o desenvolvimento econômico.

Daí a urgência em parar o aquecimento global causado pelas emissões humanas. Deve-se tirar um pé do acelerador e colocar os dois pés no freio, a fim de retardar a velocidade do aquecimento. Para tanto, há somente um caminho: reduzir, o mais breve e rapidamente, as emissões de gases de efeito estufa.

Animação: Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique/ Adrian Meyer e Karl Rege

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
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