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Plantas raras e mudanças no clima

Por que existem plantas que são raras e outras que são comuns? Supunha-se que a razão seria o fato de espécies comuns possuírem maior capacidade de adaptação a diferentes condições ambientais. Elas teriam ampla tolerância para uma diversidade de fatores, como o clima ou o tipo de solo.

Dessa forma, espécies comuns poderiam crescer em vários lugares diferentes. As espécies raras, por sua vez, sem dispor da mesma capacidade de adaptação, ficariam dependentes de condições ambientais específicas. Com isso, elas cresceriam somente em lugares nos quais se observasse as condições necessárias.

Mas um estudo de cientistas alemães sugeriu que outro fator contribui para que uma espécie seja rara ou comum. Eles descobriram que a susceptibilidade ao ataque de microorganismos presentes no solo, como fungos e bactérias, também influencia na raridade ou ordinariedade de uma espécie.

As espécies de plantas raras sofrem mais de doenças ou são mais prejudicadas pelos microorganismos do solo do que as espécies comuns. A conclusão se baseou em um experimento com espécies raras e comuns da Suíça. Os cientistas investigaram como cada uma delas interagia com a comunidade de organismos do solo.

Através das raízes, as plantas retiram dos solos nutrientes e excretam compostos orgânicos contendo carbono. O material excretado serve de alimento para uma diversidade de micróbios. Cada espécie de planta irá favorecer o crescimento uma comunidade de micróbios em torno das raízes, em função do tipo de composto orgânico excretado. Alguns desses microorganismos podem atuar como agentes patogênicos, prejudicando as plantas.

No experimento, as espécies raras acumularam em torno das raízes uma quantidade maior de patógenos do que em comparação com as espécies comuns. Elas também sofreram duas vezes mais com o ataque desse tipo de micróbio do que as espécies comuns.

De acordo com os cientistas, algumas espécies de plantas seriam mais resistentes à doenças do que outras. Elas conseguem se espalhar com mais facilidade e colonizar novos habitats, tornando-se mais comuns. Uma alta susceptibilidade aos micróbios patogênicos impediria que o mesmo se verificasse com outras espécies, e elas se tornam raras.

Essa condição pode comprometer ainda mais as espécies raras no futuro. Os cientistas alertam que as espécies raras podem ter de encontrar novos habitats devido às mudanças climáticas. A susceptibilidade à doenças representaria uma limitação ainda maior para a migração dessas espécies.

Fonte: Universidade de Bern
Imagem: © Anne Kempel, IPS, University of Bern

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