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Plantas podem sequestrar menos carbono do que o esperado

As concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa poderão subir mais do que o estimado pelos modelos climáticos, afirmou estudo de um grupo de cientistas de universidades dos Estados Unidos. Os modelos estariam superestimando a quantidade de carbono absorvido pelos ecossistemas terrestres.

O fluxo de carbono entre a atmosfera e a superfície terrestre depende em grande medida da fotossíntese. Segundo o estudo, a fotossíntese responde pela maioria do carbono bruto sequestrado da atmosfera pelos ecossistemas terrestres. Estima-se que 120 petagramas – ou bilhões de toneladas – de carbono seja absorvidas em um ano.

Esse valor corresponde a aproximadamente um terço do total de dióxido de carbono – CO2 – emitido pelas atividades humanas anualmente.

Compreender o processo de fotossíntese é importante para as projeções futuras de aquecimento global, uma vez que o aquecimento está relacionado ao aumento das concentrações atmosféricas de gases de efeito estufa. Dessa forma, os modelos climáticos e computacionais se baseiam em cálculos a respeito da quantidade de CO2 emitida pelas atividades humanas e a quantidade absorvida, entre outros, pela fotossíntese das plantas.

Todavia, os cientistas apontaram para a considerável incerteza sobre o processo de fotossíntese das plantas é representado nos modelos. A fim de aprimorar os modelos, os cientistas exploraram uma reação química da fotossíntese denominada utilização de triose fosfato.

A reação ocorre nas folhas, através da conversão do carbono absorvido da atmosfera na molécula triose fosfato, que a planta utilizará posteriormente para produção de sacarose. Um tipo de açúcar, a sacarose consiste na base energética das plantas.

Ainda há pouca informação sobre como a conversão de CO2 em triose fosfato varia para cada espécie de planta, levando-se em consideração as condições ambientais. Há três fatores conhecidos que podem levar a uma limitação da reação química: altas concentrações de CO2, alta luminosidade e/ou baixa temperatura do ar. 

O estudo incluiu a elaboração de um modelo para replicar os processo de utilização de triose fosfato nas folhas das plantas. Os cientistas investigaram a influência dos três fatores na limitação da reação química, e como isso reduziria a absorção de CO2.

Em seguida, aplicaram os resultados em um modelo climático, projetando um cenário de altas emissões até o ano de 2100. A quantidade de carbono absorvida pelos ecossistemas terrestre foi menor do que a suposta anteriormente.

A simulação na qual a limitação da reação química do triose fosfato havia duplicado levou a uma redução em 9 bilhões de toneladas de carbono sequestrado até 2100.

Os modelos climáticos que não incorporam a limitação no processo de fotossíntese estariam subestimando as concentrações atmosféricas futuras de CO2. Essa informação é extremamente relevante para o cálculo do orçamento de carbono.

A capacidade das plantas em sequestrar o CO2 pode ser menor do que o previsto, alertaram os cientistas. É preciso avança na pesquisa sobre a fotossíntese, e como ela irá variar no futuro.

Fonte: Universidade do Estado de Michigan
Mais informações: Triose phosphate limitation in photosynthesis models reduces leaf photosynthesis and global terrestrial carbon storage
Imagem: Freeimages

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