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Plantas mais eficientes com o aquecimento global

É possível detectar o impacto do aquecimento global sobre as plantas nos últimos 40 anos, afirma um grupo internacional de cientistas. A evidência estaria associada à mudanças no dióxido de carbono – CO2 – da atmosfera.

Os cientistas avaliaram os dados de monitoramento do ar realizados no Havaí desde 1978. Utilizaram também análises físico-químicas do gelo coletado de calotas polares, com registros que se estendem até o início da Revolução Industrial. O objetivo foi rastrear a presença de dois isótopos do carbono, o carbono-12 (12C) e o carbono-13 (13C). Isótopos são variações atômicas de um mesmo elemento químico. Um isótopo é diferente do outro em relação ao número de nêutrons que possui.

Com o aumento do CO2 desde a Revolução Industrial, a proporção entre os isótopos 13C e 12C presente no CO2 atmosférico vem diminuindo. O motivo é explicado em parte pelo fato do CO2 produzido a partir da queima de combustíveis fósseis ter uma proporção entre 13C e 12C mais baixa. E os combustíveis fósseis são a principal fonte responsável pelo aumento das concentrações atmosféricas de CO2.

No entanto, fatores naturais também contribuíram para esse efeito de diminuição da proporção isotópica. Entre eles, a troca e sequestro do carbono pelos oceanos e pelo ambiente terrestre. Ao revisar e atualizar os dados disponíveis, o estudo mostrou que a taxa de redução isotópica registrada só pode ser explicada levando-se em consideração alterações na fotossíntese das plantas.

A explicação sustenta que, com maiores índices de CO2 atmosférico, as plantas passam a consumir menos água para a fotossíntese. Tanto a perda de água pelas plantas, quanto a absorção do CO2, acontece por meio de microscópicos orifícios, chamados de estômatos, presentes nas folhas. A maior concentração do gás aumenta a eficiência da absorção do gás, permitindo às plantas diminuir o tamanho ou a quantidade de estômatos. Com isso, a quantidade de água perdida também diminui.

A maior eficiência das folhas na absorção do CO2 influencia o modo como os diferentes isótopos são absorvidos. Esse fenômeno havia sido sugerido anteriormente por estudos de laboratório, por análises de anéis de árvores e por registro geológicos. O método proposto pelos cientista corroborou os estudos anteriores. Permitiu rastrear, por meio da taxa de redução da proporção entre os isótopos 13C e 12C, o aumento da eficiência das plantas.

Os resultados também indicam que, em escala global, as plantas regulam os estômatos das folhas em resposta à maior concentração atmosférica de CO2. A resposta é praticamente constante e proporcional ao nível da concentração do gás, tendo o efeito de melhorar a eficiência no uso da água pelas plantas.

O estudo reforça uma antiga hipótese de que as plantas buscam uma condição ótima frente ao aumento dos níveis de CO2 na atmosfera. A hipótese prevê uma escala quase proporcional entre a eficiência do uso da água pelas plantas e o CO2. A maior eficiência das plantas levou a um maior sequestro de carbono da atmosfera, compensando um pouco o aquecimento global provocado pelas atividades humanas.

Mais informações: Rising CO2 Leading to Changes in Land Plant Photosynthesis
Imagem: Freeimages

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