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O plano de adaptação de Cuba às mudanças climáticas

Cuba aprovou ano passado um dos mais audaciosos planos nacionais de adaptação às mudanças climáticas. Denominado Projeto Vida, ele se destaca pela visão de longo prazo, buscando preparar o país para os impactos trazidos pela alteração do clima nos próximos 100 anos.

As bases para elaboração do plano foram lançadas por volta de 1991, quando a Academia de Ciências de Cuba passa a realizar pesquisas sobre o aquecimento global. Em 2004, após os danos provocados pelos furacões Charley e Ivan, em especial na região oeste da ilha, foram iniciados estudos de risco e vulnerabilidade do território cubano a desastres climáticos.

Em 2007, o aprofundamento da pesquisa científica leva o Ministério da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Cuba a iniciar a elaboração do Projeto Vida. O processo incluiu o levantamento e análise de séries históricas de dados climatológicos, como o regime de chuvas, de secas, ou o nível médio do mar. E também os danos e riscos das inundações costeiras, tanto para atividades e infraestrutura socioeconômicas quanto para ecossistemas naturais.

A elaboração do plano levou uma década, sendo ele aprovado em abril do ano passado. Cinco meses depois, o furacão Irma atingiu o norte do país. A sobre-elevação do mar provocou destruição na capital Havana e sobre a vegetação. A implementação de medidas de adaptação ganhou ainda mais urgência.

Foram estabelecidas um conjunto de cinco ações estratégicas. A primeira consiste na redução da densidade populacional em áreas costeiras baixas. A construção de novas casas em zonas ameaçadas ou vulneráveis será proibida. 

Medidas de menor custo, como, por exemplo, a recuperação de praias e o reflorestamento, serão executadas preferencialmente. Por meio da conservação dos recifes de coral da ilha, e da recuperação dos manguezais, espera-se minimizar os efeitos de enchentes.

Os assentamentos e infraestruturas ameaçados deverão ser reorganizados ou mesmo realocados. O primeiro reassentamento se deu em outubro do ano passado, quando uma aldeia de pescadores com cerca de 40 famílias foi transferida da costa para o interior. Em comunidades que talvez precisem se mudar no futuro, o governo cubano realiza ações de educação e conscientização sobre as mudanças climáticas.

O projeto pretende ainda desenvolver concepções construtivas adaptadas às inundações costeiras. Um dos pontos críticos é proteger a costa por meio de obras de engenharia, como a instalação de quebra-mares. A intenção é proteger locais históricos e turísticos, inclusive pequenas praias e baías.

As últimas duas ações estratégicas são voltadas para a agricultura. Uma delas considera como responder a uma possível redução das áreas de cultivo na região costeira por causa de inundações ou intrusão salina. A outra trata da adaptação da prática agrícola e do uso da terra às alterações do clima.

O maior impacto das mudanças climáticas em Cuba é o aumento do nível do mar. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente cubano estima que o nível médio do mar subiu cerca de 7 centímetros no último meio século. Praias mais baixas desapareceram e a taxa de erosão costeira subiu. Até o final deste século, as projeções do Ministério sugerem que 24 mil quilômetros quadrados de terra serão contaminados pelo aumento do nível do mar.

Cuba, no entanto, sofre com a falta de dinheiro. O governo tem a intenção de investir US$ 40 milhões na implementação do Projeto Vida em 2018. Para tanto, está buscando auxílio de doadores e fontes internacionais de financiamento. Um deles é o Green Climate Fund, mecanismo de financiamento internacional criado pela Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

Desse modo, a ilha do caribe busca alavancar recursos para se preparar para o futuro. E o cenários é desafiador, com maior nível do mar e furacões mais intensos. Em Cuba, a adaptação já começou.

Fontes: Science e Ecured 
Imagem: Ecured – Cuba e as mudanças climáticas

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