Press "Enter" to skip to content

Plâncton marinho sob a influência do aquecimento global

As comunidades de plâncton marinho e sua distribuição atual são significativamente diferentes daquelas existentes no período pré-industrial. As modificações observadas no presente estiveram associadas ao aquecimento global, sugeriu estudo de pesquisadores de universidades da Alemanha.

O oceano constitui o maior ecossistema terrestre. Ele tem sido cada vez mais afetado pelo aquecimento global e pelas mudanças do sistema climático, ressaltou o estudo. Por exemplo, alterações da fenologia de espécies, na distribuição e na composição de comunidades marinhas.

Mas ainda não era possível estabelecer quanto os ecossistemas marinhos foram modificados em função do aquecimento. Faltavam informações de longo prazo, que se estendessem no passado até o período pré-industrial.

Os pesquisadores decidiram realizar essa comparação entre o presente e o passado. A fim de identificar informações sobre o passado, eles analisaram os fósseis de foraminíferos presente em sedimentos coletados no fundo do mar. Compararam os fósseis com coletas de foraminíferos realizadas desde 1978.

Organismos microscópicos que habitam as águas superficiais dos oceanos, os foraminíferos são um tipo de plâncton que possui conchas calcárias. Quando morrem, eles se precipitam até o fundo do oceano, onde suas conchas ficam depositadas e fossilizam em meio ao sedimento marinho.

O estudo compilou dados de 3.774 comunidades de foraminíferos planctônicos coletados no fundo do mar e com idade pré-industrial. As características e a distribuição dessas comunidades foram comparadas com aquelas identificadas em 33 locais entre 1978 e 2013 – cobrindo, assim, os últimos 85 anos.

Identificou-se uma diferença marcante entre as comunidades de foraminífera do período pré-industrial e aquelas do presente. Em 85% dos casos, as comunidades migraram para regiões mais quentes ou mais frias, em resposta ao aumento da temperatura das águas.

A redistribuição dos organismos seria um sinal do aquecimento global, apontaram os cientistas. Regiões do oceano frias no período pré-industrial e que se aqueceram passaram a apresentar espécies associadas ao calor.

Muitas vezes, os organismos marinhos colonizaram novas áreas do oceano. Isso exige que o plâncton se adapte à novas condições ambientais. A mudança de distribuição geográfica, se ocorrer muito rapidamente, pode colocar em risco a capacidade de adaptação dos foraminíferos.

Os dados confirmam que as comunidades de plâncton do oceano sofreram modificações entre a era pré-industrial e o presente. O principal fator por trás das mudanças tem sido o aquecimento global. Trata-se, sugeriram os pesquisadores, de mais uma evidência de que o planeta entrou em uma nova era era geológica.

Denominada como Antropoceno, essa nova era geológica se distingue pelas marcas da interferência humana nos processos naturais – físicos, químicos e biológicos. E um dos modos de interferência da atividade humana se dá através do aquecimento global e das mudanças climáticas.

Fonte: Universidade de Bremen
Mais informações: Lu­kas Jonkers, Helmut Hil­l­eb­rand, Michal Ku­cera: Global change drives mod­ern plank­ton com­munit­ies away from pre-in­dus­trial state. Nature 2019.
Imagem: Flickr

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
%d blogueiros gostam disto: