Press "Enter" to skip to content

Perspectivas do aquecimento global futuro

O planeta pode estar comprometido a um aumento de temperatura maior do que a meta estabelecida no acordo climático de Paris, que pretende limitar o aquecimento global entre 1,5 e 2C acima do nível pré-industrial até 2100. Segundo estudo publicado no jornal científico Nature Climate Change, mesmo que todas as emissões de gases de efeito estufa cessassem de imediato, as emissões acumuladas até o ano de 2016 implicariam que a temperatura média anual do planeta continuaria a subir.

De acordo com o estudo, a queima de combustíveis fósseis provoca a elevação das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono – CO2. Simultaneamente, emite partículas de aerossóis para a atmosfera. Ao contrário dos gases de efeito estufa, os aerossóis refletem a radiação solar de volta para o espaço, diminuindo a absorção de energia pelo planeta e contribuindo para o resfriamento. Dessa forma, no século passado os aerossóis contrabalançaram uma parte do aquecimento causado pelos gases de efeito estufa.

No caso hipotético de uma suspensão imediata das emissões de gases de efeito estufa, em questões de semanas os aerossóis seriam ‘lavados’ da atmosfera, enquanto que o CO2 persistiria por séculos e milênios. As temperaturas continuariam a subir em função do fim do resfriamento proveniente dos aerossóis, e também pela inércia térmica dos oceanos.

O estudo buscou estimar de quanto seria esse aquecimento adicional. Os pesquisadores consideraram que, além dos aerossóis, os gases de efeito estufa que permanecem pouco tempo na atmosfera, como o metano – CH4 -, também seriam removidos, cessando sua influência. A análise incluiu também o caso em que os oceanos minimizariam o aquecimento global, absorvendo e transmitindo parte do calor para as camadas mais profundas da águas.

Os resultados indicaram que, na hipótese de uma interrupção imediata na emissão de gases de efeito estufa, seria muito provável que o aquecimento global ficasse em cerca de 1,3C acima do nível pré-industrial em 2100 (letra [d] do gráfico abaixo), subindo até 1,5C posteriormente, quando o sistema climático finalmente retomaria o equilíbrio energético.  No caso dos oceanos absorverem parte do calor, o aquecimento ficaria em 1,1C (letra [e] do gráfico abaixo).

Commited warming

Todavia, em ambos os casos haveria a chance de se exceder o limite de 1,5C, sendo de 32% para o caso sem a interferência dos oceanos, e de 13% para o caso dos oceanos absorverem parte do calor (representado pelas linhas que cortam as letras [d] e [e] do gráfico). Se o presente nível de emissões de gases de efeito estufa continuar inalterado até 2032 no primeiro caso, e 2053 no segundo, os cientistas calcularam que o limite de aquecimento de até 1,5C em 2100 será inevitavelmente ultrapassado.

Os pesquisadores ressaltam que o estudo esclarece o fato de que abruptas reduções nas emissões terão como consequência um aquecimento do sistema climático no curto prazo. O estudo também contribui para o entendimento das metas de aquecimento global, auxiliando na distinção entre o aquecimento futuro que é provocado pelos níveis atuais de gases de efeito estufa, daquele que será provocado pelas futuras emissões.

Mais informações: Committed warming inferred from observations
Imagem:
Freeimages / Gráfico é a figura 2 do estudo – Estimativas de aquecimento considerando cinco pressupostos diferentes

%d blogueiros gostam disto: