Press "Enter" to skip to content

Perigo cada vez maior das ondas de calor

Como consequência do aquecimento global, as temperaturas durante o verão estão ficando quentes demais para serem confortáveis. A frequência e a intensidade de ondas de calor extremas estão subindo, sendo que recordes intensidade foram quebrados na última década.

Os animais e as pessoas estarão cada vez mais expostos aos perigos fisiológicos das ondas de calor extremas, alertou artigo de pesquisador de uma universidade dos Estados Unidos. A modificação na ocorrência das ondas de calor poderá transformar o verão em uma estação de estresse para sobrevivência das espécies.

As mudanças climáticas se dão em um contexto no qual a biosfera terrestre vem sofrendo interferências humanas em um ritmo sem precedentes, lembrou o pesquisador. Organismos de uma região do planeta foram introduzidos em outras, os habitats sofreram com fragmentação e poluição, ou então foram totalmente perdidos. Propriedades ou processos físicos e químicos globais se alteraram.

O estresse térmico das ondas de calor extremas cada vez mais intensas e frequentes irá se somar a esse fatores. Evidência apontam que o estresse térmico de ondas de calor recentes afetou negativamente a vida animal. No caso das pessoas, elas levaram ao aumento da mortalidade ou de doenças em algumas regiões, particularmente em áreas urbanizadas.

Gráfico mensal da temperatura média global
O gráfico mostra a temperatura média global calculada para cada mês do ano. As linhas representam as temperaturas dos últimos 120 anos. A cor vermelha indica o período entre 2000 e o presente. Fonte: figura 1 do estudo.

Segundo o artigo, as projeções de modelos climáticos sugerem que as ondas de calor ficarão mais longas, mais frequentes, e com temperaturas máximas e mínimas mais altas. Com isso, o que atualmente é considerado excepcionalmente extremo pode se tornar o novo normal até 2100, dependendo do cenário de emissões de gases de efeito estufa.

A partir de uma revisão da literatura, o pesquisador descreveu as maneiras pelas quais os animais e as populações humanas serão afetadas pelo calor extremo. Ele considerou três principais respostas dos organismos vivos: a migração, a adaptação – fisiológica ou comportamental – e a morte ou a seleção natural.

No primeiro deles, algumas espécies podem mudar os padrões e rotas sazonais de movimento. Por exemplo, pássaros ou peixes deixariam de migrar para locais que se tornem muito quentes, ou alterariam o momento de realizar o deslocamento de uma área a outra.

Outro aspecto da migração está relacionado à redistribuição geográfica da distribuição de espécies. Em situações em que fique incompatível a continuidade do organismo em um determinado habitat em função do aumento de extremos térmicos, uma possível resposta é a migração para lugares que se mantenham menos quentes.

O calor também desencadeará a adaptação comportamental das espécies. Por exemplo, em um ambiente mais quente e com maior estresse de ondas de calor, a manutenção da temperatura corporal – conhecida como termorregulação – pode elevar o metabolismo de animais ou a transpiração, exigindo que eles mudem seu comportamento.

Outro tipo de adaptação diz respeito à fisiologia. Através de mudanças internas na produção de proteínas, na expressão de genes, entre outros, os animais conseguiriam reduzir sua sensibilidade às temperaturas mais altas. A adaptação fisiológica pode se dar em uma mesma geração ou ser transmitida às próximas gerações.

Eventos de ondas de calor extremo levam também à mortalidade em massa de espécies. No entanto, a mortalidade talvez promova um processo de seleção natural, favorecendo aqueles indivíduos geneticamente melhor preparados para as novas condições ambientais.

O artigo cita como exemplo os eventos de branqueamento da Grande Barreira de Corais, na Austrália, durante os últimos anos. O branqueamento significou a mortalidade em massa de corais, sendo que alguns indivíduos sobreviveram, mais resistentes ao estresse térmico.

No entanto, a possibilidade da seleção natural de indivíduos melhor adaptados constitui uma alternativa viável dependendo da taxa de aquecimento. No caso dos corais, por exemplo, as projeções apontam uma taxa de aquecimento muito alta para que eles consigam se adaptar.

As pessoas também enfrentarão a necessidade de migrar e de se adaptar. Para o pesquisador, a combinação das mudanças climáticas com outros fatores ambientais e sociais poderá minar a capacidade de se morar e viver em regiões que histórica e atualmente suportam grandes populações.

Ao mesmo tempo, as sociedades terão de se adaptar ao novo padrão das ondas de calor, em especial as cidades. Incluiria medidas como a instalação de dispositivos de resfriamento em larga escala, a adequação do acesso à água potável, ou a diminuição de atividades que exponham as pessoas ao calor.

O artigo ressaltou que existem evidências científicas suficientes para subsidiar políticas climáticas voltadas à limitação do aquecimento global. E também para planejar medidas de adaptação de consequências inevitáveis sobre os animais e os seres humanos.

Mais informações: Stillman, J. H. (2019). Heat waves, the new normal: summertime temperature extremes will impact animals, ecosystems, and human communitiesPhysiology34(2), 86-100.
Imagem: Flickr/ Moose

Informações científicas e recursos audiovisuais sobre o aquecimento global, o efeito estufa e as mudanças climáticas
%d blogueiros gostam disto: