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O otimismo dos cenários de emissões futuras

O acordo climático de Paris se baseou em cenários de emissões futuras de gases de efeito estufa que podem ser inapropriados para alcançar a meta de limitar o aquecimento global a 2°C acima dos níveis pré-industriais. Artigo publicado por um time internacional de cientistas argumenta que é necessário discutir uma maior variedade de cenários futuros, de forma a subsidiar a formulação de políticas internacionais.

Em geral, os cenários atuais prevêem uma gradual eliminação da queima de combustíveis fósseis, o que seria compensado por meio da implementação em grande escala de medidas e tecnologias de sequestro de carbono. Dessa forma, segundo os cientistas, os cenários de emissões futuras assumem que as próximas gerações irão desenvolver as soluções para o problema.

No último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC, na sigla em inglês -, 87% dos cenários de aquecimento global menor do que 2°C incluíam emissões negativas a partir da segunda metade deste século. O artigo identifica que a tecnologia preferencialmente considerada nos cenários para o sequestro de carbono seria a Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono.

Esse tipo de tecnologia, ainda inexistente, consiste na produção de energia a partir de biomassa combinada com a captura e injeção de carbono em reservatórios geológicos. De um lado, o dióxido de carbono – CO2 – da atmosfera seria sequestrado pelas plantas. De outro lado, as emissões do processo de geração de energia pela queima da biomassa seriam evitadas através da captura e injeção do carbono em reservatórios geológicos.

Mas ao apostar em emissões negativas futuras, os cenários do IPCC desconsideraram um conjunto de incertezas e de importantes dificuldades. Entre elas, por exemplo, incluem-se os impactos ao meio ambiente da tecnologia de Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono. A tecnologia também competiria com a produção de alimentos pelo uso da terra.

Além disso, dúvidas persistem sobre a eficiência e confiabilidade do método de injeção de carbono em reservatórios geológicos. Seria até mesmo possível questionar a viabilidade de se desenvolver, na escala necessária, esse tipo de tecnologia.

Outras incertezas estariam relacionadas às respostas do sistema climático ao presente aquecimento global, que não são totalmente compreendidas. Ao apostar em emissões negativas futuras, os cenários atuais assumem que as respostas não serão significativas, ou não interferirão com a possibilidade de emissões negativas no futuro.

O artigo desenvolveu um conjunto de novos cenários de emissões futuras de gases de efeito estufa, comparando-os com o cenário atual. Entre as novas trajetórias previstas, a redução imediata e até meados do século das emissões de gases de efeito estufa, ou a implementação antecipada de tecnologias de sequestro de carbono.

Sob todos os cenários , os compromissos assumidos pelos países no âmbito do acordo de Paris se mostraram insuficientes para alcançar a meta. Se os cenários do IPCC foram extremamente otimistas quanto ao desenvolvimento das tecnologias do futuro, o compromisso de reduzir as emissões assumido pelos países também o é. Nesse caso, o otimismo é supor que as consequências do aquecimento global serão amenas.

Fonte: IIASA
Imagem: Unsplash/ Veeterzy

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