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Os vulcões contribuem para o derretimento das geleiras

Erupções vulcânicas podem ter contribuído para o derretimento de camadas de gelo no final da última glaciação, sugere estudo de um grupo internacional de cientistas. Caso confirmado, esse efeito dos vulcões trará maiores incertezas para as projeções futuras das mudanças climáticas, uma vez que ele não é considerado pelos modelos climáticos.

O estudo analisou amostras de sedimentos do mar Báltico, coletados na Suécia entre os anos de 1980 e 1990. Cada amostra era formada por uma sucessão de camadas, que se depositaram no local durante o fim da última glaciação, entre 13.200 e 12.000 anos atrás.

O sedimento pode ser comparado aos anéis de uma árvore. Cada camada do sedimento expressa as condições climáticas observadas em cada ano para as estações do verão e do inverno. No verão, a água proveniente do derretimento da geleira que ocupava a região drenava para o local, levando consigo sedimentos. Quanto mais espessa essa camada, maior o volume de água drenada e, portanto, maior a taxa de derretimento do gelo. 

Os cientistas analisaram quimicamente o material, a fim de caracterizar a quantidade de sulfatos em cada camada. A presença de sulfatos em maior concentração é um indicador de erupção vulcânicas, cujas cinzas espalham na atmosfera largas quantidades do material. Os dados provenientes dos sedimentos foram comparados com dados cronológicos obtidos através da análise do gelo da camada polar da Gronelândia, que também contêm um registro das condições atmosféricas do período.

Os resultados apontaram que atividades vulcânicas mais intensas estavam associadas à ocorrência de camadas de sedimento mais espessas. Dessa forma, os cientistas sugeriram que nos anos de maior atividade vulcânica, a geleira que na época ocupava o norte da Europa experimentou taxas mais aceleradas de derretimento.

A aceleração não seria um efeito direto das erupções, mas um efeito indireto dos vulcões, podendo ser provocada mesmo por aqueles localizados a milhares de quilômetros de distância. Parte do material emitido para a atmosfera nas nuvens de cinza se depositaria na superfície da geleira, interferindo na capacidade do gelo de refletir a radiação solar. Com isso, mais energia seria absorvida pela superfície, causando maior derretimento.

A dinâmica entre os vulcões e as geleiras foi testada pelos cientistas através de um modelo climático. Para tanto, simularam os efeitos que uma das maiores erupções vulcânicas recentes – a do vulcão Laki, na Islândia – teria sobre a geleira, considerando-se as condições climáticas observadas no período. Mesmo em situações nas quais a erupção levava a um breve resfriamento do clima, a taxa de derretimento poderia aumentar no caso da deposição de cinzas sobre as geleiras.

O modelo revelou que o aumento na taxa de derretimento seria variável, ligado a diversos fatores. Entre eles, as características da erupção individual, a estação do ano na qual se concentrou a atividade vulcânica, as condições da neve e o aumento da camada de gelo. A simulação flutuou entre o derretimento de 20 centímetros a quase um metro de gelo da superfície da geleira.

A dinâmica entre vulcões e geleiras proposta pelo estudo ainda é uma hipótese. Mais pesquisa se faz necessária para sua confirmação, sendo que outros contribuintes para o aumento do derretimento não podem ser descartados. Todavia, o estudo sugere uma vulnerabilidade de geleiras e calotas polares às erupções vulcânicas. E os modelos climáticos utilizados nas projeções do aquecimento global não consideram essa possibilidade.  

Fonte: Columbia University
Mais informações: Enhanced ice sheet melting driven by volcanic eruptions during the last deglaciation
Imagem:
NASA

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