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Os trópicos à beira do colapso

A biodiversidade tropical está sob o risco de entrar em colapso, afirmou estudo de um time internacional de pesquisadores – inclusive brasileiros.

O estudo realizou a primeira revisão detalhada a respeito das espécies conhecidas nos quatro ecossistemas mais diversos do mundo. Eles identificaram a biodiversidade das savanas, das florestas tropicais, dos sistemas hídricos de água doce, como lagos e rios, e dos recifes de corais.

Identificou-se que os trópicos são a casa para a esmagadora maioria da biodiversidade do planeta. Segundo o estudo, os ecossistemas terrestres, de água doce e marinhos tropicais abrigam mais de três quartos de todas as espécies conhecidas.

Quase todos os corais de águas rasas e mais de 90% das aves terrestres são tropicais. De um total de 151.466 espécies de plantas que possuem flores, 75% ocorrem nos trópicos.

As pressões sobre as espécies tropicais tem origem em dois fatores ligados às ações humanas. O primeiro deles é local, abrangendo ações como a pesca excessiva, a extração seletiva de madeira, ou a coleta e o tráfico de animais silvestres.

O segundo fator são as mudanças climáticas provocados pelo atual aquecimento global. Elas incluem, por exemplo, a alteração na frequência e intensidade de eventos climáticos extremos. É o caso de secas e ondas de calor. 

De acordo com os pesquisadores, essas mudanças terão impactos severos nos trópicos, agravando as pressões sobre a biodiversidade. Sem precedentes, o risco de perda de espécies nos trópicos será irrevogável, com preocupantes repercussões para a vida selvagem e para as pessoas.

O colapso dos recifes de coral comprometeria os recursos pesqueiros e a proteção costeira para até 200 milhões de pessoas. Florestas tropicais úmidas e savanas contribuem para sequestrar grandes quantidades de carbono da atmosfera ou dão suporte para as chuvas em importantes regiões agrícolas, funções que seriam prejudicadas.

O estudo alertou que ações integradas em nível nacional e internacional precisam ser urgentemente implementadas a fim de impedir o colapso da biodiversidade. Os esforços voltados ao desenvolvimento sustentável e à conservação precisam ser radicalizados, de modo a promover a restauração e preservação efetiva dos habitats.

Uma pesquisadora da Embrapa que participou do estudo lembrou também que a ciência também deve ser democratizada. No presente, a maioria dos dados e pesquisas sobre a biodiversidade se concentra em países ricos e não tropicais.

Fonte: Universidade de Oxford
Imagem: Freeimages

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